A fórmula é o 4+E

Tenho várias restrições ao Mille, a principal que ele é sinônimo de carro de frota. Mas igualmente vários elogios: é ótimo de dirigir mesmo sem direção hidráulica (um pouco menos após a Fiat colocar a coluna de direção do Palio nele, o que piorou sensivelmente a posição de dirigir), tem ampla visibilidade, cabe em qualquer vaga, e provavelmente é o 1.0 aspirado com melhor desempenho entre os nacionais, junto com o Ka.

E a Fiat fez um apelo para torná-lo o carro mais econômico do Brasil, de certa maneira compensando seu preço inicial elevado – em comparação a alguns rivais chineses e mesmo Celta e Gol G4, que vêm caindo de preço – com uma proposta incrível de economia. As médias divulgadas pela Fiat são 11,1 km/l de álcool na cidade e 15,6 km/l na estrada, média que sobe para 22 km/l se usarmos gasolina.

A Fiat fez diversas alterações no motor para torná-lo mais econômico e ainda ajustou a suspensão traseira para facilitar a rodagem: se você reparar bem, os Unos atuais apresentam as rodas traseiras ligeiramente arqueadas para fora, característica mais notável em carros carregados. Com isso, o novo Mille apresenta menos resistência ao rodar, embora seja menos estável.

Mas o que quero destacar aqui é o novo câmbio 4+E, com a quinta marcha voltada para baixas rotações em viagem. Isso significa menos ruído no interior – algo fundamental num carro desprovido de forração fonoabsorvente, como o Mille -, menos desgaste do motor e mais economia de combustível.

Além da GM, que adota essa configuração de câmbio em todos os seus carros manuais com propulsores acima de 1.8, e do Focus, agora temos o Polo 2009 com relações de marcha mais longas e o Mille. Essa tendência ao alongamento das marchas - já é assim na Europa – é muito significativa para aumentar o conforto dos carros em viagens e diminuir consumo de combustível e ruído. É ainda mais digno de nota que VW e Fiat tenham acordado para essa necessidade – a VW conhecida pelos câmbios curtíssimos que usou por anos no Polo e ainda mantém sem necessidade no Golf 1.6 e 2.0, e a Fiat que faz a mesma coisa com Siena, Punto, Idea e Stilo 1.8.

Embora em carros com motores pequenos a utilização de um 4+E precise ser analisada com cuidado – a 4ª. marcha deve possibilitar ao carro uma boa fluidez na estrada com o veículo carregado, sem rotações demais (que impeçam altas velocidades) e força de menos – em motores com abundância de torque a medida é mais do que necessária. Todos têm a ganhar.

E você, que tem preguiça de reduzir da 5ª marcha para ultrapassar e gosta de câmbio curto: compre um automático, que câmbio manual não é para preguiçosos.

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