15.7.09

Haja plástico




Aparentemente este é o interior do GM Agile. Eu vejo plástico, plástico e um pouco mais de plástico. Até o banco tem jeitão de ser pobreza, pelo formato e pela aspereza visível do tecido. Provavelmente terá um interior do nível ou até pior que o do primeiro Celta, que por sua vez entrou para a história como um dos interiores menos confortáveis e aconchegantes dos automóveis nacionais.

A GM vai empurrar porcarias goela abaixo do brasileiro enquanto o povo for patético e comprar esse lixo. Eles querem lucro, ainda mais agora com a falência da matriz, e têm absolutamente zero compromisso com a satisfação do consumidor.

Mas a vingança vem aí. Eles já estão em terceiro no ranking de mais vendidos e cada vez se afastam mais de VW e Fiat. Há de chegar o dia em que o brasileiro se renderá aos bons carros da Ford e vai mandar a GM para o buraco, que é onde ela merece ficar.

13.7.09

Nomes aos bois

O i30 chegou pondo banca de hatch médio com conteúdo de carro de luxo a preço de banana. Agora, com o lançamento já feito, nota-se claramente que as coisas não eram bem assim. O i30 de 58 mil, o mais barato, não é significativamente superior à concorrência em termos de equipamentos: dois air bags, ar manual, etc. Já o i30 realmente completo, com preço acima de R$ 70 mil, já começa a entrar na seara de gente muito grande, como Civic EXS, Corolla SE-G e principalmente Jetta, vendido pela VW agora a R$ 78 mil. E o Jetta põe o i30 no porta-luvas.

 

Além disso, um ponto a ser levantado é a absolutra mentira que a CAOA conta nas propagandas da Hyundai sobre o i30 completo ter oito airbags. Ele tem, na verdade, os frontais (dois), os laterais (mais dois) e os de cortina (mais dois), e que portanto somam seis, e não oito. Se a tentativa frustrada foi dar maior peso às bolsas cortina, que protegem pessoas nos bancos dianteiros e traseiro, deveria ter sido dado menos peso aos airbags frontais e laterais que, afinal, protegem só duas pessoas. Pelo menos a imprensa especializada não caiu nessa e vem citando o i30 com seis airbags.

 

E, para completar, li outro dia na revista Motor Show que a tão propalada garantia de cinco anos dos Hyundai é, na verdade, total apenas no primeiro ano. Os outros quatro cobrem apenas motor e câmbio. Bem, a VW dá essa garantia de três anos pra toda a linha, menos Kombi, considerando que apenas o primeiro é de garantia total. Ainda preciso averiguar essa informação, mas se for verdade será um tremendo abalo na estratégia Hyundai de divulgação e atração de clientes.

8.7.09

Conforto x Engenharia

Aparentemente, é muito difícil nos dias de hoje ter um carro que seja capaz tanto em termos de engenharia quanto de conforto. Por engenharia, entenda-se partes mecânicas: um motor econômico, isento de vibrações, potente; um câmbio de engates justos e precisos, com um belo escalonamento; uma suspensão moderna, capaz de oferecer conforto aos ocupantes e ao mesmo tempo prazer ao motorista em andar rápido; uma boa posição de dirigir, com comandos à mão; e uma sensação geral de solidez do automóvel.

 

Já o conforto é isso mesmo: bancos aveludados; acabamento preciso e com bons materiais; existência de equipamentos como sensores, computador de bordo, ar digital, etc.;

 

Essa dualidade não se repete em todas as categorias, mas existem casos notórios: optar pela engenharia superior do Voyage ou pelo conforto de um 207? O Voyage é bem mais gostoso de guiar, a suspensão é melhor, o carro apresenta mais solidez. Em compensação, pelo mesmo preço de um Voyage completo, mas sem nenhum equipamento digno de nota, é possível levar pra casa um 207 Passion com câmbio automático, quatro airbags, ABS, sensor de chuva e de iluminação, e diversas outras amenidades.

 

No segmento dos hatches médios, o consumidor pode ficar na dúvida entre um 307 ou um Stilo recheados de opcionais, ou um Focus GLX sem tantos equipamentos, mas com a melhor suspensão do mercado. Essa distinção é ainda mais expressiva no segmento de sedãs médios, onde o Civic LXS, uma aula de engenharia sobre rodas com uma lista de equipamentos simplesmente miserável, é um concorrente direto de um C4 Pallas, ou um 307 Sedan, carros com equipamentos de babar na gravata e uma solidez no mínimo questionável.

 

Carros que pontuam bem nas duas frentes são poucos, em nosso mercado. E, em muitos casos, cobram caro por isso, pois costumam ser os carros bons de engenharia recheados de opcionais. É o caso do Polo, do Focus, do Corolla. E, quando vêm em pacote fechado, são carros caros por natureza: Jetta e Fusion.

 

Não acho que a escolha de um fator sobre o outro signifique uma superioridade intrínseca. Vai do gosto do comprador. Mas é uma pena que os carros realmente bons, nos dois sentidos, custem caro.

 

 

 

5.7.09

GM Agile

Qual o motivo da GM ter desistido dos nomes de carros terminados em A? Hoje, a linha toda é assim, com exceção de S10 e Blazer, que são utilitários. Eu acho classudo, dá uma identidade a toda a linha, muito melhor do que Tiguan e Golf, por exemplo (o que tem a ver um com o outro?). O Agile distorce esse conceito, uma pena.

E anotem o que estou falando: a GM fez o maior auê com o Vectra mirando um único adversário: o Corolla de 2002 a 2008. Aí veio a Honda, lançou o revolucionário Civic, e depois o próprio Corolla atual, e ambos seupltaram o Vectra. A GM fará o Viva à imagem e semelhança do Fox, será superior a ele, mas assim que a VW lançar o novo Fox em 2010, e a Ford o Fiest renovado, o Viva será sepultado também.

Espero que dessa vez a GM seja menos previsível.

25.6.09

Esse é o caminho

A Mitsubishi acabou de lançar no mercado o primeiro motor V6 flex do Brasil. Ele equipa o SUV Pajero Sport, atualmente várias remodelações sobre a plataforma original de 1996. O carro é feio, velho, apertado, duro, de acabamento péssimo para seu preço, ruim de dirigir, uma aberração, enfim. Desperdício de dinheiro.

 

O motor, no entanto, espero que sinalize uma nova era, na qual até as unidades de maior cilindrada e desempenho poderão rodar com álcool. É claro que aqui faz pouca diferença o ganho de potência e torque com álcool (5 cv e 1 m.kgf de torque, isso numa unidade com 200 cv e 31 m.kgf), e o consumo neste combustível pode se tornar exacerbado.

 

Porém, como falei há alguns posts, o álcool é um combustível renovável, e do ponto de vista ambiental é mais interessante um carro fazendo 5 km/l de álcool do que 10 km/l de gasolina. Além disso, o uso do álcool diminui nossa dependência do petróleo estrangeiro. E, por fim, somos o único país a adotar o álcool em larga escala, numa das poucas iniciativas inteligentes do governo, então o negócio é aproveitar.

 

A Mitsubishi alega um consumo realmente excessivo para o motor se abastecido com álcool, de 3,5 km/l no ciclo urbano. Mas erra quem coloca toda a culpa no combustível vegetal: o motor é do arco da velha (basta ver que outros V6 apresentam potências superiores em mais de 60 cv), o câmbio é da mesma época (4 marchas sem comando na alavanca nem inteligência nenhuma) e o carro, como todo SUV, é extremamente pesado. Fosse um carro um pouco melhor nessas condições (Captiva, Fusion, Passat) e o consumo não seria esse absurdo. E, se considerarmos o litro do álcool a menos de um real em São Paulo, também não é custoso.

 

Portanto, que venham os motorzões flex!

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