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Teste: Fiat Toro Freedom (Opening Edition) 1.8 16v AT6

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A Toro não é Fiat.

Explicamos. Se você já teve contato com algum carro da Fiat do Brasil, com exceção da Freemont, já deve ter alguma percepção prévia de como é um carro da marca. Reações da direção, suspensão, freios, acabamento e por aí vai. Existe uma coerência, notada em carros tão variados e de épocas distintas quanto Uno, Palio Fire, Stilo, Idea, Punto e Marea.
Aí você entra na Toro, começa a dirigir e nenhuma das referências Fiat vêm à tona. Nenhuma. A associação imediata e óbvia é com o Jeep Renegade, com quem a Toro divide o motor, a plataforma e a fábrica em Pernambuco.
Então é um Fiat com jeito de Jeep. Até o design é muito mais relacionado com a Cherokee do que com qualquer coisa Fiat. E esse é um daqueles casos nos quais um produto, digamos, mais básico, se beneficia enormemente de compartilhar engenharia com um produto superior.
Um aspecto que a Toro traz da Fiat, que não é relacionado ao produto, é a oportunidade de marketing. A Fiat foi muito feliz aproveitando oportunida…

Sensacional Renault Kwid

MARAVILHOSA reportagem da Quatro Rodas. Bela ação de uma revista que quase se tornou insignificante quando comandada pelo dublê de fotógrafo, mas que recuperou muito do brilho em seguida. Vem fazendo comentários importantes, significativos, combativos, questionando a postura da indústria automotiva. Por seu peso e tradição, é justamente quem deve encabeçar essas discussões.
Essa reportagem rasga uma entranha da indústria e expõe parte dos motivos pelos quais pagamos os preços absurdos cobrados em carros zero. A nosso ver o melhor trecho é esse:
Foi o que disse Marc Suss, diretor de veículos de entrada da Renault, ao site francêsLesEchos. Segundo o executivo, houve quase que um esforço de guerra da marca para garantir preço competitivo. O primeiro passo teria sido criar uma equipe de gestão independente da subsidiária brasileira, para evitar contaminação pelo ambiente tradicional.
Ou seja, esses incompetentes que comandam a Renault no Brasil (mas que poderiam ser os incompetentes de qualq…

Um pouco sobre os antigos

Vamos falar agora um pouco sobre o universo de carros antigos.
No feriado de Tiradentes aconteceu o Encontro Anual de Antigos em Águas de Lindoia, no estado de São Paulo.
Vamos listar agora três motivos para ir ao evento e três motivos para não ir.
Motivos para ir:
1.O encontro em Águas de Lindoia (também conhecido somente por “Lindoia”, embora esse seja o nome de uma cidade vizinha) é de longe o mais importante encontro de antigos do Brasil. O que começou com um evento modesto se tornou um colosso que extrapola a capacidade hoteleira e dos restaurantes da região. É a referência em encontro de antigos no Brasil e a única oportunidade de ver ao vivo algumas raridades que normalmente não saem das garagens de seus proprietários.
2.De forma muito inteligente, Lindoia também passou a receber estandes de lojas de venda de carros e peças, bem como todo tipo de “memorabilia” ligada ao universo. Para nós, essa parte é de longe a mais interessante, e uma ida a Lindoia vendo só esses estandes é bem…

Descubra Argo de errado

O lançamento do Argo contou com a presença de Fernanda Lima, Bruna Marquezine, Marcos Pigossi, Maria Rita, mas dinheiro pra um farol elipsoidal ou um teto solar não teve.
Aí você descobre onde estão as prioridades da montadora.

Como melhorar o mercado brasileiro de carros?

Vira e mexe acabamos envolvidos em conversas sobre os motivos do mercado automobilístico no Brasil ser essa porcaria. Carros caros, poucas opções, interiores e motores defasados, aquela coisa toda que nosso leitor sabe bem.
Ouvimos de muita gente que o Brasil deveria fazer uma abertura total e irrestrita. Derruba o imposto de importação e deixa o pessoal degladiando.
Nosso problema com esse posicionamento é que falta o estímulo para manter fábricas e centros de desenvolvimento por aqui, gerando empregos e pagando impostos. Uma derrubada das importações permitiria que as grandes importassem tudo de suas fábricas em outros países, que inclusive são muito mais competitivas em custo que as nossas, e poderiam fechar o parque fabril por aqui.
Quem duvida, achando que as montadoras instaladas aqui são grandes demais para isso, pode acompanhar o que aconteceu na Índia recentemente. A GM simplesmente desistiu de vender por lá, embota vá manter a fábrica com viés exclusivo de exportação. Na África…

Argo vai mal

As piadas já deixaram claro que a escolha do nome foi bastante infeliz, aparentemente num processo “top-goela-down” de um executivo gringo que não tem como compreender as piadas e comentários negativos que o nome tem. Dada a pusilanimidade dos executivos brasileiros, bando de lambe botas, ficou esse nome mesmo.
Aì tem o problema do espaço no mercado. Qual será a faixa de preço do Argo? Quem serão os concorrentes? Muito se diz sobre concorrer com o Onix, só que a Fiat já tem um produto nessa faixa: o Uno. Tudo bem que o Uno já tá ficando irreconhecível dadas as plásticas infelizes e exageradas na dianteira, mas ele tá aí no mercado.
Faz mais sentido o Argo vir mais caro. Câmbio automático de seis marchas e faixa colorida na frente são itens de hatch médio. O Argo deve vir mesmo como substituto do Punto, com as versões mais baratas competindo com as mais caras do Onix e as mais caras mordiscando o território dos hatches médios.
Não dá para um carro ser competitivo na faixa dos 40 mil e co…

Falta cultura

Ler comentários em matérias sobre carros em portais de ampla audiência, como o UOL, é tomar um tapa na cara de como o brasileiro é em geral muito pouco evoluído na discussão sobre automóveis.
O UOL fez uma chamada na capa desta avaliação do Golf 1.0 TSI, e de forma bizarramente amadora usou como manchete o porta-luvas refrigerado, item presente em diversos outros carros da VW e de outras marcas há muito tempo. Claramente uma avaliação amadora, infeliz, típica do jornalismo automotivo escroto que se propaga por aí.
Porém, mais estúpidos ainda são os comentários. Ao menos dois terços vão na lista do “R$ 77 mil num 1.0 é um absurdo”. Não vamos discutir o preço dos carros no Brasil, que já sabemos ser nocivo por uma combinação de ganância – das montadoras e do governo –, mas sim a relação entre cilindrada e potência. Sujeito parece estacionado nos anos 80 onde quem tinha carro “dois ponto zero” estava na crista da onda. Esse Golf tem desempenho superior a carros 1.8 e até 2.0 de aspiração n…

MINI participação

Na recente apresentação do novo Mini Countryman, executivos da empresa comentaram que a marca vendeu cerca de 1,2 mil unidades no Brasil em 2016, uma queda drástica das 2,5 mil vendidas em 2014 e pior ainda se considerarmos que os planos da marca eram de expansão e de vender mais.
Parte disso se explica obviamente pela crise econômica. Mas parte disso se explica pela imaturidade do mercado automotivo brasileiro.
Os Mini custam entre 100 e 160 mil. São carros de espaço interno exíguo, porta-malas pequeno, suspensão dura e nível de equipamentos similar ao dos outros carros na mesma faixa de preço. Quem compraria um Mini então?
Um britânico, que tivesse ligação com os Mini originais. Não é o caso do Brasil, que nunca teve o Mini original e que portanto não possui ligação sentimental com o carro.
Um jovem que curte um carro esportivo e não precisa de espaço. Sim, porém com muitas opções interessantes na faixa de preço, como o Fiat 500 Abarth – pena que ele não existe –, o DS3 ou o Golf GTI. …

Clássico é a mão que vou meter na tua cara

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Fomos assoberbados por este anúncio ridículo e totalmente descabido da Chevrolet no Facebook.


Primeiramente, chamar de clássicos carros como a Meriva e o Corsa Sedan, ou Classic, que foi produzido até 2014, é tomar liberdades excessivas com a palavra “clássico”, distorcer seu significado no meio automotivo, é dar um tapa na cara em todas as pessoas que realmente cuidam de clássicos de verdade.
Segundamente, que se você REALMENTE tiver um clássico da GM, como um Opala ou um Chevette, você será ESCORRAÇADO da concessionária, com aquele monte de mexânicos que só servem para trocar óleo e fazer rodízio de pneus. A montadora está pouco se fodendo para os clássicos de verdade dela no Brasil, não oferece manuais, nem peças, nem assistência, nem encontros.

E aproveitem e troquem a agência que cuida do Facebook porque esses aí estão como seus funcionários, não entendem bulhufas de carro. Só interessa o dinheiro no final do mês.

Os acovardados

Recebemos um comentário tão bom que a resposta vale um post em tópicos.
Minha questão é a gestão local da indústria automobilística, que alguns chamam de predatória, mas eu prefiro chamar de tacanha mesmo, já que deixa de agregar valor sustentável à imagem das suas marcas, com investimentos estruturais na operação brasileira, que tornariam seus produtos muito mais atraentes.

E, nesse ponto, me refiro a repensar a relação com os concessionários com um compliance efetivo, e também rever o preço das peças.

Não consigo entender como uma peça da VW que custa 600 euros numa concessionária, na França, custe 3 ou 4 mil euros, num concessionário brasileiro. Não há tributo, custo de importação ou de operação que justifique essa diferença.

E insisto no ponto porque penso que - mesmo com produtos muito menos atraentes do ponto de vista do entusiasta - Honda e Toyota repensaram esse pós venda no Brasil, e conquistaram um valor agregado às marcas delas, que já certamente compensou o investimento.
A prim…