5.2.10

Aos de estômago forte

Direto do Carplace:

A Honda lança no México o novo City. O sedan brasileiro, produzido na fábrica da Honda localizada em Sumaré – SP, chega ao mercado mexicano com apenas duas importantes diferenças: a primeira é a entrega mais equipamentos desde a versão de entrada e a segunda é o preço equivalente a menos da metade do cobrado no Brasil.

No México, todas as versões são equipadas com freios à disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar condicionado além dos vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo que equipa a versão vendida no Brasil, ou seja, um 1.5 litro que entrega 116 cv de potência.

Por lá, a versão de entrada será oferecida por 197 mil pesos mexicanos, o que equivale a cerca de R$ 25.800. No Brasil, o City LX com câmbio manual (versão de entrada) que não conta com freios ABS, tem preço sugerido de R$ 56.210.

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Juro que nessas horas dá vontade de apoiar quem sonega imposto. Governo inútil.

2.2.10

Dr. Goebbels

Da coluna do Fernando Calmon no Webmotors:

GRUPO Caoa/Hyundai surgiu, em 2009, como maior anunciante da indústria automobilística e quinto no ranking geral do Ibope Ratings. Além de superar a Fiat, gastou 53% a mais em publicidade que a Volkswagen. Algo surpreendente para uma empresa detentora de apenas 2,4% de participação de mercado, contra aproximadamente 24% de cada uma das duas maiores.

30.1.10

A passo de formiga...

O consumidor brasileiro é bizarro. Em primeiro lugar, o que importa na aquisição do carro é o preço. Cidadão tem 50 mil pra investir num automóvel e fica na dúvida entre um EcoSport, um Fit, uma Meriva e um Golf. Difícil imaginar carros com propostas mais distintas do que esses quatro, com apenas uma coisa em comum: custam menos de 50 mil. O resultado disso é a família apertada e levando menos bagagem do que gostaria, ou o consumo excessivo de combustível, ou alguma outra ocorrência que deixe bem claro a inadequção daquele carro para aquele uso. O consumidor brasileiro médio não pensa no uso que fará do carro: roda sozinho na cidade, mas, como está ganhando bem, manda um Fusion V6. Ou aboleta o carro de tralhas do filho recém-nascido e opta por um Astra hatch ou ainda uma 207 SW, que é perua só no nome, com aquele porta-malas exíguo de 313 litros.

Além de não se preocupar com o uso que fará do carro, o consumidor brasileiro médio também não se preocupa com os custos envolvidos na posse de um carro. Está longe de ser só a compra: o possante precisa ser abastecido, revisado, os pneus trocados. Acho válido a Quatro Rodas fazer, como foi a capa da edição de janeiro, um comparativo entre os hatches médios avisando que é possível ter um deles por pouco mais que um compacto premium. Aí o cidadão manda uma carta pra revista agradecendo, pois ao invés de comprar um compacto, ele levou pra casa um Astra. Espero, de verdade, que ele tenha considerado nessa conta o valor do seguro do Astra, que é bem salgado, os abastecimentos mais frequentes, e mesmo a troca de pneus, que são bem carinhos com aro 16". O sujeito não pensa em nada disso e o resultado é, em pouco tempo, um carro comprometido pelo abastecimento com combustível adulterado (mais barato), rodando sem seguro, e com pneus aro 16" remold, e aí o cidadão anda a 20 km/h na chuva pois qualquer coisa acima disso o carro dele aquaplana.

E isso sem contar o outro sujeito que escreveu para a mesma revista elogiando o comparativo e dizendo que, "na vida real dele", ele levou o Vectra para casa (que, com justiça, ficou em último na comparação da Quatro Rodas). A revista desce a lenha no carro dele e ele escreve elogiando? Hein? Perdi alguma coisa? Ou como acontece muito aqui no M4R, o motorista compra um carro e DEPOIS vai pesquisar o que a imprensa acha dele. Aí descobre o blog, descobre que descemos a lenha no carro novo dele, e aí o cara escreve um comentário todo ofendido. Putz, era só ter pesquisado ANTES, não é assim que deveríamos fazer?

A melhora recente na economia deu a milhares de brasileiros a oportunidade de comprar o primeiro carro. Não dá pra falar nada de quem está começando. Mas gente que passou dessa fase não tem mais desculpa para cair nestes contos do vigário extremamente simples. Comprar um carro é uma decisão complexa e que envolve muitos outros fatores além do simples preço de compra e preço de revenda. Quando outros itens como manutenção, postura da empresa e prazer ao dirigir forem tão considerados quanto o preço, aí sim teremos amadurecido.

28.1.10

Descanse o pé

Resumindo de forma grosseira, existem quatro tipos de transmissão para automóveis no mundo. A mais comum é a manual, na qual o condutor seleciona as marchas através do câmbio e do auxílio de uma embreagem. Temos a automática, na qual um sistema complexo envolvendo um conversor de torque faz as trocas de marcha automaticamente. É mais antigo do que pensamos, tornando-se popular nos Estados Unidos já na década de 50 (a Cadillac parou de oferecer carros manuais antes dos anos 60 e só retomou a prática 30 anos depois). Temos ainda a CVT, que andava esquecida e que tivemos por aqui no Fit da geração anterior e no Sentra. Um grupo de polias adapta-se à velocidade e à abertura do acelerador, dando a impressão de marchas infinitas. E, por fim, existe o câmbio automatizado, um manual com operação eletrônica, dispensando o pedal da embreagem.

Todos têm suas vantagens e desvantagens. O manual é o mais eficiente, com menos perdas de tração e desperdício de combustível nas trocas de marcha. O automático é o mais confortável por trocar as marchas sem tranco, cobrando por isso um preço no consumo e também no desempenho do carro. O CVT tem uma montagem cara e não suporta potência e torque muito altos do motor. E o automatizado... o automatizado é o futuro, o caminho no qual todo mundo (Ferrari, Mercedes, Porsche) está convergindo.

O automatizado que temos aqui é um modelo mais simples, no qual o sistema de embreagem é acionado da mesma forma que num carro manual, como se fosse um “pé esquerdo eletrônico”. É errado dizer que o automatizado é mais bruto do que um câmbio manual: um sensor de movimento longitudinal acusaria índices muito próximos para os dois durante as trocas de marcha. O que realmente acontece é que, num carro com câmbio manual, o motorista e os passageiros sabem que virá uma troca de marcha, pelo movimento da alavanca, e instintivamente esperam o “tranco”. Num automatizado, não se sabe quando virá este movimento e, quando ele acontece, não estamos preparados.

Para sanar esta questão, os carros mais avançados usam um sistema de dupla embreagem, uma atuando nas marchas pares e outra nas ímpares. Assim, a próxima marcha está sempre “semi-engatada” e isso praticamente elimina os trancos, além de permitir trocas extremamente rápidas. Fôssemos um país evoluído e um mercado decente, já teríamos mais desses por aqui.

Enquanto isso, nos viramos com os automatizados de uma embreagem só. E posso dizer que a experiência com o Fox I-Motion nesse sentido foi bem positiva. Há um tranco, sim, na passagem de primeira para segunda. Pode-se reduzi-lo tirando o pé do acelerador ou mesmo se acostumando, mas essa não é a ideia de conforto que se espera de um câmbio desses. Nas outras passagens de marcha ou mesmo reduções, um acionamento bastante suave. E é um câmbio com respostas rápidas, um movimento na alavanca ou pressão nas aletas atrás do volante já resulta numa mudança, algo que não acontece no automático da PSA, por exemplo.

Em termos de conforto, nossos automatizados ainda são inferiores aos automáticos, ainda mais se considerarmos um bom automático como o 6 marchas da VW, da Ford ou o CVT da Nissan. Isso não os invalida como uma boa opção para quem quer descansar o pé esquerdo, especialmente em se considerando que os carros pequenos dificilmente têm o câmbio automático como opcional.

No entanto, ainda acho que mais carros pequenos deveriam ter câmbios automáticos (ou melhor ainda, CVTs) como opcionais. E acho que carros que se dizem de luxo, como o Linea, não podem oferecer somente a opção do automatizado, pelo menos não um com embreagem única. Enquanto não chegamos lá, os automatizados cumprem seu papel e são um tremendo alívio no trânsito pesado.

22.1.10

A trilha mais radical: SP na chuva

Três conhecidos sofreram danos em seus carros devido à chuva da madrugada de quarta para quinta-feira (20 e 21/1) em São Paulo. Carros normais, hatches e sedãs.

Não vou me alongar aqui falando do descaso do poder público, da impermeabilização excessiva, do aquecimento global, do El Niño, etc. Mas sim do reflexo disso no universo automobilístico: o crescimento nas vendas de SUVs.

Faz sentido; SUVs são mais altos, calçam rodas maiores, muitas vezes possuem tração nas quatro rodas e estão infinitamente mais preparados para rodar nestas condições caóticas. A grande maioria dos donos de SUV, no entanto, tem dó dos seus carros, pelos quais pagaram bem caro, para colocá-los a enfrentar um alagamento. Claro que é preciso tomar cuidado: um Tucson é bem mais limitado que um Defender, e tendo em vista que alguns túneis em São Paulo ficaram com água até o teto, nem um Defender com snorkel encararia aquilo. Mas muitos pontos de alagamento podem ser vencidos por um SUV. Os donos só precisam de um pouco mais de coragem.

Isto dito, uma ressalva: optemos, ao menos, pelos SUVs de verdade, altos e com tração nas 4 rodas. Um Pajerinho TR4, por exemplo, ou um Land Rover Freelander. Se é pra ter uma Tucson 4x2, prefiro um sedã médio. Atolo, mas pelo menos de forma confortável.
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