15.2.12

Dica para a Peugeot

O M4R oferece agora, totalmente de grátis, sugestões de melhorias importantes para a Peugeot. Grandes consultorias multinacionais cobrariam milhares de dólares pelos nacos de bom senso que serão expostos aqui, de graça.

Vamos começar pelo 408. Sedã médio, oferta da marca num segmento disputado e de altas vendas. Resultado? Mediocridade. De acordo com a revista Carro de fevereiro, “a vida do Peugeot 408 não está fácil no mercado nacional. Quando foi lançado, há cerca de um ano, a marca foi pouco ousada ao divulgar a sua expectativa de vendas, que era emplacar 1500 unidades por mês do modelo. O pior é que essa meta, que já parecia modesta, não foi alcançada (...) o 408 registrou uma média de 729 modelos comercializados por mês em 2011.” Como comparação, novamente de acordo com a revista, o Corolla vendeu 53 147 unidades no ano, cerca de 4430 por mês.

Ok, o 408 não precisa bater o Corolla em vendas, mas não deveria passar vergonha. E o que está errado?

Para se estabelecer no mercado, uma marca nova precisa de um produto significativamente melhor que o da concorrência, custando menos. Ninguém conhecia a Hyundai há dez anos atrás e hoje os coreanos estão aí com pinta de marca premium. Quem construiu essa imagem não foram os comerciais incessantes, mas sim produtos como Santa Fe, Veracruz, i30 e Azera – todos melhores que os concorrentes e custando mais barato, em especial os dois útimos.

A Peugeot não assume que precisa se reinventar no país. Mas precisa, ou não vai sair da lanterninha. Pra vender bem, o 408 precisava ser melhor que a concorrência, e custar menos. E não é uma coisa e nem outra.

Não é melhor que a concorrência porque vem com eixo de torção na suspensão traseira, abolida por Civic e Focus. Vem com câmbio automático de 4 marchas, abolido por Civic, Fluence e Sentra. Vem com um motor incapaz de fazer mais do que 6 km/l de álcool, o mais beberrão da categoria. Não vem com um pacite de equipamentos de deixar as pessoas boquiabertas. Não vem com design revolucionário. É um carro, normal, sem graça, sem nada demais.

Como carro não é pão francês, o 408 não vende nada. O 508 não resolve, pois é de uma categoria acima (Passat, Mondeo). O que o 408 precisava era ser um bom produto, e não um carro pensando para os “compradores do terceiro mundo”. Ah, e precisava ser barato. Do jeito que está, nasceu morto.

E um bom exemplo é o do Fluence, sedã muito bom e que vem correspondendo às expectativas de vendas, mesmo sendo da Renault, outra marca francesa sem grande apelo para o consumidor.

O 308 vai seguir pelo mesmo caminho. Talvez não a versão 1.6, que vem com motor novo (122 cv no álcool, muito interessante), embora o preço esteja alto (R$ 54 mil) e o pacote de equipamentos não tem nada de mais. Agora, o 2.0 com o mesmo motor beberrão, o mesmo câmbio de 4 marchas, e os mesmos equipamentos da concorrência, pelo mesmo preço, vai fazer água desde já.

Ah, e já se vão QUATRO ANOS desde seu lançamento na Europa.

8.2.12

Bye, Opel

O Carsale anunciou a morte do Corsa Sedan, por enquanto negada pela GM. Pouco importa: se não for agora, será em breve. E o irmão hatch vai junto, logo depois.

Convivemos no M4R com um Corsa Sedan dos primeiros, motorização 1.0 a gasolina. Desempenho sofrível, câmbio extremamente curto e um gasto de combustível nem tão parcimonioso assim. Mas esses são detalhes de um motor claramente inadequado para o projeto (mesmo caso do malfadado Polo 16v). Nas versões 1.4 e 1.8, o Corsa agregava um bom desempenho às qualidades notadas mesmo na versão 1.0: ótimo acerto de suspensão, rodar “plantado”, com estabilidade e conforto, boa posição de dirigir, bom acabamento, ótimo espaço interno e porta-malas. O câmbio ficava a desejar.

Podia não ser o carro perfeito, mas ainda é melhor que Prisma e Agile (não dirigimos o Cobalt, mas se for parecido... putz...). Herança da origem alemã.

E é por isto que a morte do Corsa Sedan é importante. Com ele, e as mortes iminentes do Corsa hatch e do Astra, acabarão os produtos GMB de origem Opel alemã. O Celta é baseado no Corsa de 1994, com tantas alterações que em nada lembra o saudoso ovinho. Prisma, Agile e Cobalt vêm da mesma herança. O Cruze é um projeto global (Coreano, se a memória não falha), assim como nossa Captiva. O Omega é australiano. E a S10/Blazer têm longas e antigas raízes na S10 americana.

Isto é o sintoma de uma empresa querendo sair de uma crise. Os projetos alemães, via de regra muito bons e caros, ficam restritos ao mercado europeu, mais exigente. Países com motoristas menos exigentes ficam com projetos menos bons, mais baratos – tanto é que o Cruze, esse fenômeno todo que a GMB tenta vender, não é nada disso na Europa. O mesmo vale para a Captiva.

O próprio Corsa sofreu com a crise da empresa e o “depenation team”, responsável por privar os carros nacionais de diversos itens de acabamento e conforto. No primeiro ano de produção, o Corsa podia ser equipado com teto solar opcional e revestimento na parte interna do porta-malas. A própria campanha publicitária falava em “central de sistemas integrada”, ou algo assim, que controlava itens como o apagamento gradual da luz interna – nos últimos anos, vinha somente nos Corsas com ABS. Hoje o Corsa Hatch é um cadáver na linha da GM, somente com equipamentos e cores básicas.

O encerramento da produção do Corsa Sedan é mais um prego no caixão da GM brasileira com raízes Opel, somando-se à morte dos Vectras I e II, Omega nacional, Calibra, Tigra e Corsa ovinho. O que vem aí é uma nova GM, mais Daewoo.

O que pode ser bom para a empresa, mas não necessariamente será para os consumidores.

25.1.12

A ordem das coisas

Acontece desde o início do M4R. Cidadão compra um carro e, todo felizão, coloca o nome do carro no Google pra ver o que a imprensa especializada acha. Aí, dependendo do modelo, o sujeito se depara com um link para este recanto da internet. E nem sempre as palavras do M4R são amigáveis. Acabamos de receber um caso assim no post do Vectra GT-X.

Duas coisas:

A primeira, e mais fundamental, é fazer as coisas na ordem certa. PRIMEIRO você pesquisa sobre o carro que quer comprar, e depois compra. Não adianta gastar dinheiro num veículo e depois ficar procurando especialistas pra falar bem do seu carro. Se você é apaixonado, acha o Chery Tiggo a coisa mais bonita do mundo, adora o custo-benefício e está decidido a comprá-lo, vá em frente: o dinheiro é seu. Agora, se a opinião alheia é importante, vale consultá-la ANTES da compra.

A segunda é que o M4R é um espaço opinativo. Muita gente não entende isso ainda, mal acostumada que está com a nossa imprensa especializada totalmente chapa-branca. O M4R expressa opiniões baseadas em fatos e em impressões após avaliar os carros. Tem quem concorde, tem quem discorde. Normal.

E, por fim, um aviso: quem xinga, perde a razão. Sempre.

22.1.12

Tudo é questão de referência

Estreou a nova propaganda do Chevrolet Cobalt. O tema é "tudo é uma questão de referência". O vídeo está aqui.

No meio, o narrador pergunta: "e agora, o seu carro? É espaçoso, completão?".

Não sei, senhor narrador. Mas após ver o Cobalt, ele ficou muito mais bonito.

17.1.12

Motolândia

A capa do caderno mercado da Folha de S. Paulo de hoje fala do aumento dos casos de invalidez após acidentes no trânsito, que catapultaram de 31 mil para 152 mil por ano entre 2005 e 2010. Mais de 70% dos acidentados usavam motos. “Há trabalhadores que só contribuíram à Previdência por cinco anos, mas que vão receber aposentadoria por invalidez o resto da vida”, destacou o secretário de Políticas de Previdência na matéria.

A grande diferença entre o trânsito de um país desenvolvido e o de um subdesenvolvido é a quantidade de motos. Não é a civilidade, não é o congestionamento, não é a idade nem a qualidade da frota. A diferença mais brutal é a quantidade de carros. É possível passar um mês em Londres e ver menos motos do que em cinco minutos na avenida Rebouças, em São Paulo.

Os motivos para essa proliferação são conhecidos: transporte público precário e elevados congestionamentos. O cidadão opta pela moto porque é barata, econômica, ágil no trânsito pesado – tudo de bom. E aí se acidenta. Tem a fatia dos cachorros loucos que não têm a menor noção de civilização e merecem se acidentar mesmo, e tem a fatia dos motociclistas civilizados que se acidentam simplesmente porque moto é um negócio muito perigoso. Não dá pra andar num troço em que o seu corpo é o para-choque.

E o governo, esse tumor incompetente que os brasileiros têm de aguentar, evidentemente não faz nada, como é de costume. A situação arromba os cofres já arrombados da previdência e as motos continuam no mesmo preço. Essa divisão de contas é no mínimo injusta – não seria mais interessante motos pagarem mais DPVAT?

Claro que a solução é desafogar os grandes centros com ampliação de transporte público. Mas, até lá, a vietnamização do trânsito nas grandes cidades brasileiras já começou, e isso precisa ser combatido por meio de preparação melhor nas auto-escolas para motociclistas e motoristas, campanhas de conscientização e uma divisão mais justa dos custos causados pelos acidentes de moto.
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