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Como melhorar o mercado brasileiro de carros?

Vira e mexe acabamos envolvidos em conversas sobre os motivos do mercado automobilístico no Brasil ser essa porcaria. Carros caros, poucas opções, interiores e motores defasados, aquela coisa toda que nosso leitor sabe bem.
Ouvimos de muita gente que o Brasil deveria fazer uma abertura total e irrestrita. Derruba o imposto de importação e deixa o pessoal degladiando.
Nosso problema com esse posicionamento é que falta o estímulo para manter fábricas e centros de desenvolvimento por aqui, gerando empregos e pagando impostos. Uma derrubada das importações permitiria que as grandes importassem tudo de suas fábricas em outros países, que inclusive são muito mais competitivas em custo que as nossas, e poderiam fechar o parque fabril por aqui.
Quem duvida, achando que as montadoras instaladas aqui são grandes demais para isso, pode acompanhar o que aconteceu na Índia recentemente. A GM simplesmente desistiu de vender por lá, embota vá manter a fábrica com viés exclusivo de exportação. Na África…

Argo vai mal

As piadas já deixaram claro que a escolha do nome foi bastante infeliz, aparentemente num processo “top-goela-down” de um executivo gringo que não tem como compreender as piadas e comentários negativos que o nome tem. Dada a pusilanimidade dos executivos brasileiros, bando de lambe botas, ficou esse nome mesmo.
Aì tem o problema do espaço no mercado. Qual será a faixa de preço do Argo? Quem serão os concorrentes? Muito se diz sobre concorrer com o Onix, só que a Fiat já tem um produto nessa faixa: o Uno. Tudo bem que o Uno já tá ficando irreconhecível dadas as plásticas infelizes e exageradas na dianteira, mas ele tá aí no mercado.
Faz mais sentido o Argo vir mais caro. Câmbio automático de seis marchas e faixa colorida na frente são itens de hatch médio. O Argo deve vir mesmo como substituto do Punto, com as versões mais baratas competindo com as mais caras do Onix e as mais caras mordiscando o território dos hatches médios.
Não dá para um carro ser competitivo na faixa dos 40 mil e co…

Falta cultura

Ler comentários em matérias sobre carros em portais de ampla audiência, como o UOL, é tomar um tapa na cara de como o brasileiro é em geral muito pouco evoluído na discussão sobre automóveis.
O UOL fez uma chamada na capa desta avaliação do Golf 1.0 TSI, e de forma bizarramente amadora usou como manchete o porta-luvas refrigerado, item presente em diversos outros carros da VW e de outras marcas há muito tempo. Claramente uma avaliação amadora, infeliz, típica do jornalismo automotivo escroto que se propaga por aí.
Porém, mais estúpidos ainda são os comentários. Ao menos dois terços vão na lista do “R$ 77 mil num 1.0 é um absurdo”. Não vamos discutir o preço dos carros no Brasil, que já sabemos ser nocivo por uma combinação de ganância – das montadoras e do governo –, mas sim a relação entre cilindrada e potência. Sujeito parece estacionado nos anos 80 onde quem tinha carro “dois ponto zero” estava na crista da onda. Esse Golf tem desempenho superior a carros 1.8 e até 2.0 de aspiração n…

MINI participação

Na recente apresentação do novo Mini Countryman, executivos da empresa comentaram que a marca vendeu cerca de 1,2 mil unidades no Brasil em 2016, uma queda drástica das 2,5 mil vendidas em 2014 e pior ainda se considerarmos que os planos da marca eram de expansão e de vender mais.
Parte disso se explica obviamente pela crise econômica. Mas parte disso se explica pela imaturidade do mercado automotivo brasileiro.
Os Mini custam entre 100 e 160 mil. São carros de espaço interno exíguo, porta-malas pequeno, suspensão dura e nível de equipamentos similar ao dos outros carros na mesma faixa de preço. Quem compraria um Mini então?
Um britânico, que tivesse ligação com os Mini originais. Não é o caso do Brasil, que nunca teve o Mini original e que portanto não possui ligação sentimental com o carro.
Um jovem que curte um carro esportivo e não precisa de espaço. Sim, porém com muitas opções interessantes na faixa de preço, como o Fiat 500 Abarth – pena que ele não existe –, o DS3 ou o Golf GTI. …

Clássico é a mão que vou meter na tua cara

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Fomos assoberbados por este anúncio ridículo e totalmente descabido da Chevrolet no Facebook.


Primeiramente, chamar de clássicos carros como a Meriva e o Corsa Sedan, ou Classic, que foi produzido até 2014, é tomar liberdades excessivas com a palavra “clássico”, distorcer seu significado no meio automotivo, é dar um tapa na cara em todas as pessoas que realmente cuidam de clássicos de verdade.
Segundamente, que se você REALMENTE tiver um clássico da GM, como um Opala ou um Chevette, você será ESCORRAÇADO da concessionária, com aquele monte de mexânicos que só servem para trocar óleo e fazer rodízio de pneus. A montadora está pouco se fodendo para os clássicos de verdade dela no Brasil, não oferece manuais, nem peças, nem assistência, nem encontros.

E aproveitem e troquem a agência que cuida do Facebook porque esses aí estão como seus funcionários, não entendem bulhufas de carro. Só interessa o dinheiro no final do mês.

Os acovardados

Recebemos um comentário tão bom que a resposta vale um post em tópicos.
Minha questão é a gestão local da indústria automobilística, que alguns chamam de predatória, mas eu prefiro chamar de tacanha mesmo, já que deixa de agregar valor sustentável à imagem das suas marcas, com investimentos estruturais na operação brasileira, que tornariam seus produtos muito mais atraentes.

E, nesse ponto, me refiro a repensar a relação com os concessionários com um compliance efetivo, e também rever o preço das peças.

Não consigo entender como uma peça da VW que custa 600 euros numa concessionária, na França, custe 3 ou 4 mil euros, num concessionário brasileiro. Não há tributo, custo de importação ou de operação que justifique essa diferença.

E insisto no ponto porque penso que - mesmo com produtos muito menos atraentes do ponto de vista do entusiasta - Honda e Toyota repensaram esse pós venda no Brasil, e conquistaram um valor agregado às marcas delas, que já certamente compensou o investimento.
A prim…

PSA compra Opel

Hoje foi confirmada a compra da Opel pela PSA. Algumas observações:
- Esse movimento pode explicar porque o Brasil não recebia mais projetos Opel, como na época de Astra, Meriva e Zafira. Ainda acreditamos que o principal viés da decisão seria a redução de custos mesmo, aquela alegação insuportável de que “os carros seriam muito caros para o Brasil”. Mas também poderia ter um viés de já trazer projetos ao Brasil que teriam continuidade dentro da GM. A Opel já era considerada “à venda” dentro da GM desde 2009 pelo menos...
- A Opel e a Vauxhall, sua marca no Reino Unido, há tempos já não conseguiam competir com a Ford e principalmente VW na Europa. A combalida GM não fazia os investimentos necessários para que esses carros estivessem no mesmo nível de refinamento, tecnologia e desempenho dos concorrentes. E, ao contrário da PSA/Renault e Fiat, que têm mercados cativos em seus países de origem, a Opel enfrenta a Volks na disputa “caseira” e a Vauxhall não era considerada britânica por nin…

A nós, o refugo

Sensacional essamatériada AutoEsporte.
Os carros que essas montadoras trazem ao Brasil são tão inadequados (pra não falar outra coisa) que os caras precisam importar carros do país de origem para atender à liderança. A nosso ver isso é uma confissão de culpa: “desculpem, brasileiros, mas para vocês só oferecemos o refugo do nosso portfólio”.

Nessas horas há que se admirar uma Volkswagen, que comercializa de Gol a Touareg, ou mesmo a Ford com Ka e Edge.

Análise rápida dos carros compactos

A pedidos, essa é nossa rápida avaliação das opções disponíveis entre compactos e compactos premium hoje.
Chevrolet:
Onix – É o campeão de vendas por dois motivos. O primeiro, é que não é um carro ruim em nenhum aspecto. Não tem a modernidade dos rivais, seja em motorização ou comportamento, mas também nenhuma falha crítica. E vende mais porque as concessionárias Chevrolet SABEM VENDER. Encoste a barriga no balcão e você ganha desconto, valorização do usado, condição de pagamento, pronta entrega, e por aí vai. Em outras marcas até conseguir que o vendedor te atenda fica difícil.
Fiat:
Mobi – HAHAHAHAHAHAHA. Que lixo, Fiat. Carro feio, ruim, mal acabado e ainda por cima caro.
Uno – É a melhor proposta da Fiat no segmento hoje. Os motores Firefly correspondem em potência e economia, o espaço interno é adequado para a categoria, nosso único senão vai para o visual um tanto pesado.
Palio – Defasado em motorização, acabamento, equipamentos e espaço interno. Com bom desconto, pode valer a pena.
Pu…

Teste: Honda Civic EX 2.0 (Geração 10)

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(Não encontramos fotos da versão do Civic que testamos. Então, como ilustração, as fotos externas são da versão EXL).
Se o leitor já teve experiência em projetos em empresas saberá do que estamos falando. Alguns raros projetos são cumpridos com todos os envolvidos de acordo, tendo entregue o que se esperava deles. O cara do RH contratou as pessas certas no tempo certo, o cara do TI montou a infraestrutura adequada, o engenheiro entregou os cálculos, o gerente do projeto não matou ninguém.
Esse é o Civic Geração 10.
Um carro no qual todos os envolvidos no projeto entregaram o que se esperava deles. Isso quer dizer que é um carro excelente e a avaliação acabou aqui? Não. Quer dizer que, se todos os envolvidos entregam suas partes, o resultado final não tem falhas ou defeitos graves. Não quer dizer que é excelente – para um projeto ser excelente, ao menos uma (preferencialmente mais) entregas precisam SUPERAR as expectativas.
Primeiro a turma do design. Entregaram um desenho indiscutivelmen…