16.7.14

Três grandes

O Joel Leite escancarou o que já acontece há algum tempo: é errado falarmos nas quatro grandes brasileiras (multinacionais com atuação no Brasil, para ser mais preciso). São três: Fiat, GM e Volkswagen.

Com o final da Autolatina, a Ford elaborou um modelo de negócios no Brasil no qual não é preciso ser grande para dar lucros – e aparentemente acomodou-se por aí mesmo. Isso explica uma parte da equação: permite que a Ford não seja tão agressiva em vendas, não se empenhe em abrir concessionárias loucamente por todo o Brasil, e seja econômica nos esforços para ocupar mercado na faixa mais disputada, a dos compactos.

Mas tem uma parte da equação que não faz sentido. Porque não se vendem mais Fords no Brasil? O Focus está entre os líderes de seu segmento, assim como o Fusion e o EcoSport. O new Fiesta também ocupa bom destaque entre os compactos premium, mas não são carros de volume. Hoje, dá pra entender porque os Fords mais baratos vendem pouco – Fiesta e Ka estão ultrapassados. Mas quando esta geração do Fiesta foi lançada em 2002, porque não arrebentou a boca do balão?

A chamada do Best Cars à época resume bem: “Motor 1,0 com compressor, um grande conjunto, preço atraente: o novo Fiesta é o que a Ford precisava”. Dos concorrentes à época, o Palio já era o Palio; o Gol G3 era o melhor da geração com motor longitudinal, porém caro e com seguro proibitivo; só a GM apresentava algo interessante com o Corsa. Este Fiesta vendeu bem, mas não mudou o patamar da Ford. Falta de interesse pois a empresa dá lucro assim mesmo? Ou o dano causado pela Autolatina à imagem da Ford foi tão grande que serão décadas para se recuperar? Ou a Ford sofre da fama de não fazer carros pequenos bons, assim como diz-se que a Fiat não sabe fazer grandes (duas bobagens)?

Hoje, com 9% do mercado, a Ford está distante das três grandes, que orbitam a faixa acima de 17% (a Fiat se destaca om 21%), e com a Renault no seu encalço, com 7%. Os carros de origem Dacia foram a solução para a Renault ser vista como “a francesa com confiabilidade”. Se já vendiam bem quando eram esquisitos, segurem a nova linha Logan-Sandero com o novo design.

A Hyundai vem encostada com 6,9%, basicamente todos HB20. Um case a ser estudado: a CAOA conseguiu imprimir à marca uma imagem premium que ela não tem em nenhum lugar do mundo e a montadora bancou a conta lançando um compacto que subiu a barra do segmento. Fizeram em cinco anos o que as francesas não fizeram em 15. A casa está caindo nos carros maiores – o público vem percebendo que Azera, Elantra, Sonata, i30 e ix35 são no máximo equivalentes aos concorrentes, se não inferiores, e atualmente não custam mais barato por isso. Mas o HB20 segue firme.

Depois vem a Toyota, ajudada pelo Etios, e a Honda, que não atua no segmento inferior a 50 mil reais. Citroën e Peugeot sofrem, com menos de 2% e muita dificuldade para virar o jogo, e a Nissan ainda atrás mais limitada pelas cotas de importação do México do que pelos produtos; deve alcançar as outras japonesas quando a produção em Rezende estiver a todo vapor.

É válido ainda comentar a superioridade da Fiat, com 21,6% do mercado, cabeça e ombros à frente de GM e Volks com 17,6% cada uma. Interessante que isto acontece justamente no período em que a linha da Fiat está mais fraca, pois vultosos recursos foram direcionados para a fábrica de Goiana em Pernambuco: o Linea está ridículo, o Punto envelheceu, o Bravo nasceu inferior à concorrência, o Grand Siena é mal ajambrado, o Palio não caiu no gosto e o Uno implora por uma revitalização (o 500 é bacana, mas vende pouco). Quem banca a Fiat é mesmo o Palio Fire, aquele da geração antiga, e a Strada com as suas múltiplas versões. Carros de volume, e cuja plataforma antiga permite boas margens (sem contar o preço extorsivo cobrado no Brasil, claro).


Se quer mesmo ser a maior do mundo, é hora da Volks aproveitar esta fragilidade. Mas não parece que este assunto está na pauta. Não faz sentido a Saveiro não ter acompanhado a Strada nas soluções de cabine estendida e dupla, seguindo a concorrente. Não faz sentido a Volks achar que um 1.6 8v serve para todos os carros em todos os momentos – a Fiat oferece versões 1.4 8v, 1.4 16v, 1.6 16v e 1.8 16v. E o sedã grande e barato da Volks, competindo com Grand Siena e Cobalt, cadê? E o Polo atualizado, para competir com o New Fiesta? Em muita coisa a Volks já revolucionou o mercado, começando pelo Jetta TSI e ainda mais com o Golf; o up! também foi um passo corajoso. Com essa lerdeza, a Fiat já terá completado Goiana e aí vai ser difícil segurar.

10.7.14

Audi A3 Sedan ou Jetta TSI Highline?


Dúvida natural que surgiu na cabeça de muita gente quando a Audi inciou as vendas do A3 Sedan por R$ 94.800, muito próximo aos R$ 93.000 pedidos pelo VW (não só ele; Corolla Altis, Civic EXS e Cruze LTZ rodeiam estes patamares também). Vamos focar a comparação com o TSI porque seria, de longe, nossa opção entre estes.

Mas e o Fusion flex? Carrão, só que maior porte e portanto de outra categoria.

Sendo as duas marcas do mesmo grupo, a precificação do A3 levou em consideração obviamente a posição do Jetta TSI no mercado. E o jogo combinado é o mesmo visto na Europa, quando as marcas disputam o mesmo segmento – exemplo de Passat e Audi A4, por exemplo. Os VW são nitidamente mais baratos, mas dependendo dos equipamentos, versões e motores, podem encostar ou mesmo ficarem mais caros que os Audis.

Não se enganem com comparativos com Fusion e quetais: o Jetta TSI é um sedã médio (lembrem do Comfortline), que briga com Corolla e Civic, e que tem uma versão de powertrain apimentado a R$ 20 mil a mais. A A3 também é um sedã médio, só que “premium”, para ficar na linguagem de marketing. E isso, na prática, significa carroceria mais bem montada, acabamento melhor e mais esmerado, acionamentos suaves ao toque, boa calibração de suspensão e direção, e por aí vai. Não que o Jetta seja particularmente ruim, pelo contrário, mas o Audi tem obrigação de ser melhor nesses itens – e é mesmo. A diferença em acabamento é particularmente gritante.

Pode-se esperar, ainda, que fazer parte da marca “premium” traga vantagens no trato com a empresa, especialmente no pós-venda. Na Audi tem sistema leva-e-traz pra revisões? Não tem “empurroterapia”? O consultor vai atender de forma adequada e explicar tudo que será feito no carro? Nas revisões simples, o carro fica pronto no dia? O dono do TSI é atendido pelo mesmo consultor que vende Gol e aí vai ser aquele atendimento cabuloso típico de marca de grande volume. Só que e o preço, como fica? Não que a manutenção normal (não estamos falando de problemas graves como falhas no câmbio) do Jetta seja barata, mas e a do Audi, vai ser um abuso? E o seguro então?

É parte da estratégia de definição do preço de um automóvel determinar quais equipamentos de série serão entregues pelo determinado preço. Na Audi, ficou clara a opção de fazer um pacote tentador a R$ 99.900, com os opcionais mais comuns e desejados, e uma versão de entrada que serve na verdade para atrair o consumidor e na concessionária forçar a venda do mais caro. A versão de entrada só serve para figurar nos “a partir de” dos anúncios.

A explicação fica clara na comparação da lista de equipamentos em relação ao Jetta TSI de mesmo preço: pequena vitória em air bags (Audi com uma a mais, para joelhos do motorista), faróis com xenônio (opcionais no Jetta), freio de estacionamento elétrico e só. De série o TSI responde com ar bi-zona (manual no Audi), volante e bancos com revestimento em couro, comandos para trocas manuais de marcha atrás do volante, retrovisor interno fotocrômico, faróis de neblina, faróis e limpadores automáticos, sistema de som com tela touch e bluetooth, e faltou checar se o Audi tem rebatimento elétrico e desembaçamento dos retrovisores externos, que o TSI tem.

O desempenho também é difícil de comparar, afinal estamos diante de um 1.4 e um 2.0, ambos turbo. 122 cv contra 211 e 20,4 m;kgf contra 28. O A3 está longe de ser lerdo (0 a 100 em 9,4s), mas o TSI é o capeta, faz essa aceleração em 2 segundos a menos.

Ambos têm seus predicados. Se considerarmos que o pós-venda da Audi seja digno da marca, quem optar pelo A3 terá atendimento melhor e conviverá no dia-a-dia com um carro excelente, que exala qualidade de projeto pelos poros e que cerca o motorista de bom gosto e refinamento. Quem ficar com o Jetta vai precisar conviver com as concessionárias especializadas em Kombi, vai ter um carro cujo interior é do segmento “de briga” dos sedãs médios, mas estará rodeado de muitos equipamentos que fazem a diferença no dia-a-dia.


E, sob o pé-direito, vai ter um foguete que janta a grande maioria dos carros por aí. Para o M4R, Audi só com motor decente (assim como Mercedes só com tração traseira). Ficamos com o Jetta TSI. 

Spam

Muito spam nos comentários. Por isso agora pedimos um CAPTCHA de quem for postar, que é aquela combinação de números e letras que computadores não conseguem ler. A ver se melhora.

7.7.14

Equipamentos parte 3 - final

Além da lista do Best Cars, incluímos mais alguns:

Ar bi-zona – Alguém deve lembrar da propaganda do Stilo na qual o cara motorista sacaneava uma passageira, deixando o lado dela geladíssimo só para poder abraçá-la. Balela total. O ar se mistura e não dá pra dizer que um lado está com uma temperatura significativamente diferente do outro. É quase a mesma coisa que um ar monozona.

Aquecimento nos bancos – Úteis para os mais friorentos e te garantimos que se sua namorada ou esposa é desse tipo, como a maioria das mulheres, este é um equipamento que ela vai gostar. Para quem é mais calorento, não faz sentido.
Acendimento automático dos faróis – Muito úteis para eliminar a preocupação com isso ao se entrar em túneis e garagens. Mas deveriam ter algum timer que só os acendesse após o carro ligar; do jeito que está, acendendo já na ignição, só servem para drenar bateria e reduzir a vida útil das lâmpadas ao se acionar a partida.

Acendimento da luz de neblina – Esse é aquele esquema presente em alguns carros (sabemos de Brava, Jetta, Tiguan e Golf 7, mas deve ter mais) no qual, com faróis acesos e em velocidade baixa, o farol de belina adjacente à curva se acende para iluminar o piso. Legal para mostrar pros vizinhos, inútil em todas as outras situações, pois não ilumina o piso de verdade e só serve para colocar as lâmpadas de neblina num acende e apaga infernal que vai queimá-las em pouco tempo e aí toca você ir trocá-las naquele lugar inacessível. Bobagem da grossa.

Sensor de chuva – Ótimo, desde que bem calibrado. Testamos há algum tempo um num Peugeot que era horrível, ficava parado na tempestade e surtava com uma garoa. A VW coloca a possibilidade do próprio motorista regular a sensibilidade, o que ajuda, embora o ideal mesmo fosse uma calibração fina e útil para todos os momentos.

Palhetas de chuva air-blade – Ou qualquer outro nome que se dê para essas palhetas de chuva novas que são compostas de uma peça só. Não achamos elas mais eficientes em termos de limpeza do que as antigas, mas têm a vantagem de ser mais silenciosas, ao menos como testamos. Se seu carro tem as palhetas antigas e elas são silenciosas, nem se preocupe em mudar.

Retrovisores rebatíveis eletricamente – Deveriam ser obrigatórios. Os carros estão ficando maiores e as vagas estão do mesmo tamanho, isso quando não ficaram menores. Poder rebater os espelhos de dentro do carro para estacionar em locais apertados ou proteger os espelhos do tráfego na rua é bastante útil. E gostamos do modelo no qual o motorista aciona o rebatimento por botão, ao invés do modelo no qual o rebatimento é automático sempre ao fechar o carro. Pois não é toda garagem que necessita disso.

Desembaçamento dos retrovisores externos – Nunca enfrentamos uma situação na qual pudesse ser útil.

Lentes azuladas nos retrovisores externos – Ou então um sistema eletrocrômico que reduza o ofuscamento. Todos úteis para proteger dos inúteis, como explicamos no item do retrovisor interno eletrocrômico. Interessante que dirigimos um Golf 2001 com lentes azuladas que reduziam em muito esse ofuscamento, algo que não vimos em outros carros. Depenation team?

Molas a gás sob o capô – Vareta? Sério? Em 2014? Tem umas coisas que não dá pra entender.

Iluminação permanente no painel de instrumentos – Muito útil ao permitir visibilidade ampla dos indicadores sob qualquer situação de luz, mas gerou um efeito colateral: a quantidade de nó cego dirigindo é tamanha que o cidadão sai rodando à noite com os faróis desligados, achando que como o painel tá aceso, então tá tudo bem. Foge ao nosso entendimento como que um chimpanzé dessa profundidade está autorizado a dirigir, mas de toda forma seria útil um modelo no qual a iluminação fosse reduzida à noite, para forçar o motorista a acender os faróis e aí sim retomar a iluminação no painel.

Bancos em couro – Mania besta essa de achar que couro é o que é elegante. Só se for o couro Connolly de um Bentley. Couro legítimo ainda vai. Mas esse sintético é a coisa do demônio, ruim ao toque, desconfortável, quente no verão, frio no inverno. O que há de errado com um bom veludo ou mesmo Alcântara?

Pisca-3 – É o nome que tem se convencionado dar àquela função de dar um leve toque na alavanca de seta e acioná-la automaticamente por três vezes. A Fiat teve uma boa sacada e programou cinco vezes, mais útil no dia-a-dia. Achamos bacana, e força o motorista a aplicar uma suavidade no comando que é bem-vinda.


5.6.14

Continuando...

Ajuste elétrico dos bancos – Fazem muito sentido se vierem com memórias, pois assim o carro pode ser usado por mais de um motorista e os ajustes ficam guardados para fácil mudança. Mas mesmo sem memórias são úteis, para os pequenos ajustes do dia-a-dia, como por exemplo quando se está com calçados de solado mais grosso ou mesmo a diferença de altura que os seres humanos passam todo o dia (de manhã somos mais altos). E também são úteis quando se quer baixar totalmente o encosto.

Alerta para atar cintos – Concordamos com o editorial. Aquele modelo que apita se você tão somente ligar o carro sem o cinto atado é simplesmente insuportável. Preferimos o sistema que acende a luz espia, mas o alerta sonoro só aciona acima de 20 km/h.

Alerta para cansaço do motorista – O motorista deve ter consciência de quando está cansado e parar. Simples assim.

Assistente para estacionamento – Duvidamos que sejam mais eficientes do que uma baliza bem-feita. Parece algo melhor para mostrar aos vizinhos do que usar na vida real.

Câmera traseira para manobras – As que vimos distorcem tanto as imagens que ficamos na dúvida se são realmente úteis. Achamos válidas, mas desde que combinadas ao sensor de estacionamento. Somente câmera, sem sensor achamos pouco.

Destravamento por senha – Não é terrivelmente útil, mas pode-se pensar em algumas situações de uso, como querer deixar a chave dentro do carro ou então passar a senha para alguém ter acesso e buscar algo que esqueceu sem precisar emprestar a chave. Mas não pagaríamos um centavo a mais por isso.

Espelho adicional para ponto cego – Espelho bom é espelho biconvexo. Todo o resto: convexo, plano, com espelho adicional, é pior. Adendo para o sensor de ponto cego: é útil, mas usá-lo em São Paulo é ficar enlouquecido com a quantidade de motos que ele vai sinalizar. A luz vai pedir aposentadoria por insalubridade com uma semana de uso...

Estepe temporário ou de medida diferente dos demais pneus – Estepe temporário achamos válido, desde que represente real economia de espaço no porta-malas. Perde-se em dirigibilidade até poder consertar um pneu, e por isso achamos esta solução pior do que ter um pneu de medida real, de preferência com roda igual às em uso. Agora, realmente essa mania de colocar um estepe de 16” num carro que usa roda 17” não dá pra entender: perde espaço igual e prejudica a dinâmica do carro. Solução porca.

Massagem no encosto – Testamos pouco e achamos muito suave para fazer algum efeito. Também ficamos preocupados pensando que aquilo poderia quebrar se fosse muito utilizado.

Porta-copos – Aqui somos bastante contrários ao publicado no Best Cars. Achamos porta-copos muito úteis sim, para levar copos após passar numa lanchonete, ou ainda levar garrafas de bebidas para acompanhar numa viagem longa. Conhecemos pessoas que têm o hábito de sempre deixar uma garrafa de água no carro, para eventual sede em algum trajeto. E mesmo que não tenham uso, viram úteis porta-trecos.

Pneu que roda vazio – Nunca testamos, e entendemos que ainda é uma solução em estudo, mas dado que calibrar pneus é um enorme anacronismo em pleno século 21, uma solução nesse sentido tem tudo para ser útil.

Retrovisor interno fotocrômico – No M4R sempre defendemos este item, pelo fato de constantemente se ajustar à intensidade da luz que vem atrás e desta forma ajudar o motorista a não ser cegado pelos inúteis que andam com faróis altos acesos sem motivo, ou com eles desregulados (especialmente os que desregulam os neblinas de propósitos para usá-los e ficar lindão). Só achamos que a regulagem de escurecer deveria ser mais agressiva, pois não protege desses males o tanto quanto deveria.


Televisor e toca-DVDs – Bênção para entreter as crianças no banco traseiro. Na frente, têm utilidade duvidosa caso só possam ser vistos com o carro parado. É mais uma das leis idiotas: a intenção é boa, mas na prática o que se vê são pessoas (muitos taxistas) com sistemas after-market funcionando o tempo todo, sem fiscalização. Deveria ser liberado, mas como infelizmente o motorista médio já se atrapalha com volante, câmbio e pedais, é melhor proibir mesmo.
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