8.5.11

Teste: Chevrolet Zafira Elegance 2.0 automática

Na apuração de dados para a publicação das avaliações de carros no M4R, é prática comum buscarmos outros testes para conferir números e mesmo algumas opiniões. Não costuma ser difícil: existem diversas resenhas publicadas em sites e revistas responsáveis. O teste da Zafira foi uma exceção: tivemos de nos contentar com avaliações de até seis anos atrás, pois não há nada mais recente. Claro: não faz sentido avaliar um carro que parou no tempo.

A Zafira que temos por aqui surgiu na Europa há – preste atenção – DOZE anos atrás, em 1999, e está entre nós desde 2001. Em 2005, ganhou o aspecto atual, e depois herdou o motor 2.0 repotenciado para 140 cv, no lançamento do Vectra atual.

O nascimento da Zafira no Brasil coincide com o início da decadência da GM por aqui. Com exceção dos importados, desde então a GM não lança um automóvel digno do nome por estas paradas. O que temos em mãos, então, é um projeto brilhante e envelhecido.

O brilhantismo da Zafira reside em dois fatores: um, óbvio, é o fato de carregar sete lugares. Foi por um bom tempo a única minivan nacional com essa capacidade, e só agora sofre concorrência da Grand Livina. Mesmo sendo dois lugares temporários, ainda assim são úteis numa variedade de situações. Além disso, o sistema de guardar os bancos no assoalho também merece muitos elogios, e não pensem que este é um atributo comum: em outras minivans do mesmo porte, é comum os bancos precisarem ser removidos para liberar espaço.

O segundo fator de brilhantismo da Zafira é a qualidade da execução do projeto. Nesse ponto, lembra o nosso Golf antes da remodelação medonha: um projeto sem grandes revoluções técnicas, mas muito bem executado e com atenção aos mínimos detalhes. É notável o silêncio em velocidades elevadas, por exemplo, ou a ampla visibilidade. São detalhes que revelam um bom planejamento inicial.




O design também é fruto desse planejamento. Neste caso, grande vitória da função sobre a forma. O desenho da Zafira é o absolutamente necessário para se transportar sete pessoas num carro daquele porte. Minivans, como um todo, não costumam ser expoentes de design. E há que se reconhecer a dificuldade da tarefa de desenhar uma minivan como a Zafira, compacta, e ainda assim obter um padrão bem agradável de desenho. Que, como não poderia deixar de ser, está bem cansado após tantos anos no mercado nacional.

O interior é quase o mesmo desde o lançamento, o que neste caso é um bom sinal, dada a grande piora na qualidade do acabamento dos carros de forma geral de uns tempos pra cá. As maçanetas são cromadas, o volante é revestido em couro, e os plásticos do painel e das portas não falam mal de ninguém. Os bancos em couro são o destaque, não somente pela maciez do material, mas pela adoção do tom cinza claro, o favorito para interiores na opinião do M4R. O ambiente interno como um todo é muito agradável, pela iluminação em amarelo do console central (por uma fonte de luz abaixo do retrovisor interno), pela feliz combinação da iluminação branca do painel com o tom amarelo do console central, e as diversas opções individuais de iluminação para os bancos dianteiros e traseiros.





A ergonomia não é lá essas coisas: o botão de travamento das portas, bastante utilizado numa minivan, fica perdido no painel. As alavancas de seta são uma coisa horrorosa, parecem saídas de um fusca. Mas o pior nesse sentido é o posicionamento da alavanca de câmbio. A versão testada era automática e portanto requeria pouca interação; mas uma Zafira manual é problema para que não tiver braços muito compridos – a alavanca é muito baixa em relação aos bancos.

Nesta versão Elegance, a Zafira vem completa, com air bag duplo, ABS, rodas aro 16”, ar digital, computador de bordo, trio elétrico, retrovisor eletrocrômico, espelhos externos azulados patra evitar ofuscamento (mais uma herança do bom projeto original) e o câmbio automático de quatro marchas com opção esportiva e para terrenos escorregadios – mas sem trocas manuais. Fazem falta itens comuns na categoria, como o piloto automático (que a GM oferece no Agile), teto solar e, crítico pelo tamanho do carro, sensor de estacionamento. Em se tratando de veículo familiar, uma direção elétrica para leveza em manobras não faria mal.

Quem empurra a Zafira é o mais do que conhecido 2.0 família II, com oito válvulas e 140 cv. E vamos logo ao que interessa: na Zafira, ele vai muito bem, obrigado. Em primeiro lugar pelo bom trabalho acústico: mesmo em altos giros, a vibração e o ruído não incomodam, pois ficam isolados da cabine. Em segundo lugar, pelo conceito prático: num carro pesado e automático, torque importa muito mais do que potência. Com os quase 20 m.kgf de torque gerados a 2600 giros pela unidade, a Zafira se porta com certa desenvoltura no trânsito, mesmo carregada e com um câmbio automático que não é dos mais modernos. Estas limitações ficam evidentes quando se faz uma exigência alta de desempenho da Zafira, o que, de qualquer forma, o que não é o foco de um carro familiar. O preço é pago na hora de encher o tanque: é um carro difícil de extrair mais de 6 km/l de etanol em uso urbano.

O câmbio automático de quatro marchas é brusco nas trocas e faz pouco uso do freio-motor: é só tirar o pé do acelerador que a rotação cai para marcha lenta. Isso gera uma quantidade desencessária de alterações no giro do motor, chegando a incomodar. Uma grande qualidade da unidade, porém, é o controle de ponto-morto, que passa a N sempre que o carro está parado, sem que seja necessário movimentar a alavanca. Este atributo deveria ser de série em todos os automáticos.

Muito mais importante do que o conjunto motor e câmbio, numa minivan, é o espaço interno, que a Zafira tem de sobra. Um motorista de 1,80m se ajeita confortavelmente e ainda há espaço para um passageiro da mesma altura atrás. O quinto ocupante conta com um assento um tanto duro e pouco espaço para os ombros, mas está bem servido em altura e espaço para as pernas. Os dois bancos sobressalentes são mesmo somente para crianças ou adultos em pequenos percursos, ainda assim uma flexibilidade que atende diversas situações e é o maior atrativo da Zafira. O porta-malas com os bancos montados é bem pequeno, mas com eles abaixados se transforma numa caverna para mais de 600 litros.

A suspensão é tradicional, McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, e filtra bem as oscilações do piso, embora a escolha de rodas grandes e pneus mais finos pela GM tenha prejudicado um pouco o conforto ao rodar. A estabilidade é surpreendente, embora o centro de gravidade alto faça-se notar, com a Zafira inclinando bem nas tomadas de curva mais agressivas. Os freios são a disco nas quatro rodas com ABS; ancoram bem o carro e o freio tem uma modulagem adequada de acionamento.

Como automóvel, a Zafira é superada em sua faixa de preço por uma concorrência bem mais moderna, com motores e câmbios mais eficientes e uma dirigibilidade superior, como Corolla, Civic e Focus. Mas ela não concorre com sedãs, e sim com outras minivans, neste caso um universo bem mais limitado: Grand C4, Grand Livina e Picasso, sendo que a última leva somente cinco pessoas. A Nissan é mais moderna, mas não mostra isso no interior, exterior, acabamento ou mesmo câmbio – somente o motor, e ainda assim não muito. O fator de competitividade da Grand Livina é mesmo o preço, consistentemente menor que o da Chevrolet. Já quem pode pagar mais deve optar pela Grand C4, que carrega alguns defeitos da Zafira – motor beberrão, câmbio limitado -, mas tem um design bem mais atual e um interior de melhor acabamento. Em termos de espaço, as três são equivalentes.

Auxiliada pela fraqueza da concorrência, a Zafira se mostrou um produto ainda válido, graças a sua atuação de nicho como minivan com sete lugares. Pagar acima de 70 mil reais por um carro com onze anos de mercado é revoltante e de certa forma absurdo, mas é o preço que o consumidor paga por precisar de um carro tão específico num mercado bizarro como o brasileiro. O consolo é que, uma vez nesta categoria, a Zafira ainda é muito boa de briga.





Estilo 5 – Estamos todos enjoados da Zafira, mas em termos de estilo propriamente dito, ela é bem interessante na sua proposta.

Imagem – Mais feminina do que masculina, e sem dúvida um carro com um propósito: carregar gente, normalmente filhos, o que naturalmente implica numa faixa etária mais elevada. Ninguém compra uma Zafira porque acha bacana.

Acabamento 8 – O plástico do painel e das portas não é lá essas coisas, mas o couro do volante e principalmente dos bancos é um show à parte. O show de luzes internas também é bem bonito.

Posição de dirigir 5 – É bem alta, mesmo com o banco na altura mínima. A maioria dos comandos está à mão, com exceção da alavanca de câmbio.

Instrumentos 10 – Após abandonar o amarelado medonho, a GM adotou uma bela iluminação branca para o cluster, que foi redesenhado e ficou moderno e bonito. O display com data, hora e computador de bordo também soma pontos para compor um belo painel.

Itens de conveniência 8 – Existem falhas, como a ausência de sensores de estacionamento, teto solar e piloto automático, mas no geral tudo que se espera de um carro de 70 mil reais está lá.

Espaço interno 9 – Carrega cinco pessoas de forma bastante confortável, e ainda pode levar mais duas atrás. Com exceção da largura na fileira do meio, todas as outras medidas, como espaço para pernas e cabeça, são bem generosas. Faltam porta-trecos, no entanto.

Porta-malas 10 – Seiscentos litros com os bancos traseiros rebaixados é praticamente um dormitório. Com os bancos traseiros em pé, no entanto, a coisa fica feia.

Motor 7 – Isolado da cabine, o veterano 2.0 8v entrega bons números de potência e principalmente torque, sem transparecer vibrações excessivas. Agora, acoplar um motor antigo a um carro pesado com câmbio automático de quatro marchas é pedir para se tornar sócio do posto.

Desempenho 7 – Não que precisasse, mas a máxima de 192 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h em 11 segundos são bem razoáveis. Porém, andar forte não é com ela.

Câmbio 5 – Excelente o controle de ponto-morto. E só. Quatro marchas, operação brusca, zero de freio-motor.

Freios 9 – Fazem um bom trabalho de parar o carro, com respostas prontas e boa modulação do pedal. Discos nas quatro rodas, e ABS.

Suspensão 5 – Tendo em vista a lomgevidade da Zafira, nem podemos culpá-la pelo conceito anrigo de suspensão. A calibração é boa, num meio-termo entre conforto e esportividade, mas as rodas grandes acabam transmitindo mais imperfeições do solo para a cabine do que seria desejável.

Estabilidade 7 – Em se considerando o tipo de carro, é excelente. Sai de frente no limite, claro, mas vai com calma que normalmente tem muita gente dentro do carro.

Segurança passiva 5 – Airbag duplo é bom, mas num carro que pode levar sete pessoas, seria melhor se mais gente estivesse protegida pelas bolsas de ar, não acham?

Custo-benefício 3 – Complicado pagar 75 mil reais num carro com motor de Monza, câmbio de Monza e suspensão de Monza. Mas se você precisa carregar seis ou sete pessoas com uma razoável frequência, ou então cinco e muita bagagem, a Zafira atende o propósito sem te deixar na mão em termos de acabamento, conforto e desempenho. Mas se você puder carregar um pouquinho só menos gente ou bagagem e conseguir optar por um Focus... ou Corolla... ou Jetta... ou Fluence... ou 408... ou Pallas... ou Sentra...


(fotos da versão Elite)

17 comentários:

André disse...

Dub, excelente teste, por 2 motivos em especial: você normalmente não curte gm e, de fato, não há nenhum teste recente com a zafira. Os 2 motivos que menciono são mais do que justos. Curtir gm é o mesmo que curtir o site da receita federal. E não dá pra esperar um teste com carro tão jurássico quanto a zafira. Por isso, excelente ler sua opinião, mais uma vez. Abraço.

Augusto disse...

Parabéns pelo ótima avaliação e por todo o conteúdo blog, melhor do que a maioria das revistas especializadas.

Wagner Almeida disse...

Cara eu gosto muito do seu blog mas pra que perder tempo testando um monstrengo gm feioso desses... Faz teste no Bravo, New Fiesta, Optima e etc..

Gustavo disse...

Dub, tem um concorrente desse dinossauro... O kia carens. Presta?

Jarraum disse...

Cara, esse é o unico Gm nacional q me agrada, por ter banda, dá pra levar muita tralha dentro do carro, e mais passageiro junto. Tivemos um dessas, só q manual, 2006 se nao me engano, como falou o cambio fica longe, principalmente com o apoio de braço abaixado.
Eu gosto o desenho da Zafira e de suas soluções. A mais top, tem Teto solar ?
e o Piloto aut, acho q tbm.
A nossa em viagem com alcool e AC chegava a fazer 10 km/l, mas era o motor com 126 cv (creio q não mude nada) ótimo teste, traduziu tudo q penso pelo carro.

Dubstyle disse...

A todos, agradecemos os elogios.

André, nem chega a ser questão de não curtir GM, e sim de não curtir carro ruim. Estamos tentando testar uma Captiva para mostrar como um GM pode ser bom quando quer.

Wagner, queremos dar espaço a todos os carros no M4R. Como não somos revista especializada, nosso acesso aos carros é bem complicado. Mas seguimos tentando.

Gustavo, a Carens funciona como concorrente da Zafira, mas tem uma característica mais minivan mesmo, seja na posição de guiar ou no comportamento dinâmico. Para levar gente é até melhor que a Zafira, mas não para dirigir.

Wagner Almeida disse...

Valeu Dub, eu entendo... seu blog continua sendo leitura obrigatória para mim e já indiquei para varios colegas...

Anônimo disse...

Senhores,

estou indo para minha 3ª Zafira e, na minha opinião, um baita carro.
Agora... e carro um jurássico? Tá pode até ser, mas vamos ao que interessa: Valor das peças/manutenção - barato hein!!! Seguro de uma "OK" valor de R$ 68.000,00 sai por volta de R$ 1.500,00 (com bônus 10), ninguém rouba pois é um carro jurássico,he, he, não é. Carro Gastão... é mesmo fez 11,6 na estrada indo para Campos do Jordão. Consigo colocar 3 bicicletas de porte médio no porta malas... que mais... ah outro dia levei 4 pessoas + malas + um buggy arrastando (engatado no cambão) de + ou - 850kg até o Sítio.
Agora a GM tá querendo tirar fora de Linha; vai dar um tiro no próprio pé.

Souza

Anônimo disse...

Se você esta mais preocupado em aparecer, não tem problema, basta pagar uma fortuna em um desses carros bonitinhos disfarçados de offroad que tem por ai. Porém se você é como eu: precisa de boas soluções de espaço, manutenção tranquila e boa relação custo/benefício, a "JURÁSSICA ZAFIRA" ainda é uma boa solução. Tenho uma há cinco anos e nunca tive grandes problemas. Estou satisfeito, só troco se for por outra.

Anônimo disse...

M4R estao de Parabens, foi o melhor explicativo sobre a zafira que encontrei na net.Estou decidida, vou comprar uma Zafira, depois volto pra dizer o que achei dela,ok?

Claudio Batatais disse...

Excelente texto,
agora quem vai ler é porque gosta ou precisa de um carro nestas dimensões, quem não precisa ou não gosta vá ler o texto de outro teste.
Valeu galera

Anônimo disse...

Concordo com o pessoal, pra quem tem grana e quer ser boy, logico q a Zafira não é o mais indicado, mas pra quem andava de gol, palio, siena, corsa, santa e vectra...p.q.p a ZAfira é uma nave, tanto em desempenho quanto em consumo, pois com o ar ligado a minha faz prativamente a mesma media e detalhe, não apanha no motor. Puxa q ´€ uma loucura e particularmente tenho uma Elegance com a roda 16, acho ela bem legal. A com roda 15 fica mais conservadora, mas deve ser mais macia. Comparando com o vectra q tinha 98, minha nossa, para viajar é um espetaculo. Manutenção ?? a minha é uma completa 2005 com 65.000 km, só troquei cabo de vela porque o antigo dono ja havia feito uma preventiva (cooreias trocadas, filtros e velas). E outra vi uma reportagem se não me engano na auto esporte (site) q uma Zafira de 60.000 foi desmontada e as peças estavam intactas, e concordo com o pessoal q a GM fez umas bizarrices em carros, mas a CAPTIVA e o CRUZE...SHOOOOW DE BOLA!!

Anônimo disse...

E tem mais uma zafira com roda 16 é muito mais esportiva que a SPIN q parece sim com uma "cabeça de dinossauro" mais precisamente um T-Rex...o coisa bem feia q ficou este carro, todo desengonçado...mil vezes a velha zafira...detalhe q os bancos extras escoram nos bancos trazeiros, enquanto na zafira tem compartimento...tenho uma ELEGANCE azul marinha com roda original 16, anda muito bem e é otima para dirigir, e com certeza pegaria a Ultima a COLECTION, mas não pegaria a SPIN!!!!!!!

Anônimo disse...

Olá pessoal, tenho uma Zafira Elegânce manual, uma relíquea, manutenção e seguro de graça em comparação as outras marcas.
Anda muitoooo...na estrada...para quem entende de máquina saber reconhecer uma Zafira.

luciano disse...

gostei da materia, mas existe a zafira elite onde seu acabamento 'e superior ao da elegance como exemplo a qualidade do banco de couro, air bag para todos passageiros, controle de som no volante, teto solar tambem tem, controle de velocidade automatico, seu computador de bordo possui um numero maior de informacoes e uma serie de outros itens que outros veiculos deixam a desejar, como exemplo possui um toque para todos os vidros.... vale a pena comparar!

luciano disse...

gostei da materia, mas existe a zafira elite onde seu acabamento 'e superior ao da elegance como exemplo a qualidade do banco de couro, air bag para todos passageiros, controle de som no volante, teto solar tambem tem, controle de velocidade automatico, seu computador de bordo possui um numero maior de informacoes e uma serie de outros itens que outros veiculos deixam a desejar, como exemplo possui um toque para todos os vidros.... vale a pena comparar!

Claudio disse...

Cara gostei do seu blog, procurava por informações melhores sobre a Zafira e achei bem interessante o seu teste.No meu caso não tem pra onde correr pois tenho 2 filhas e meus pais que sempre viajam comigo, e a zafira ainda é a melhor nesta relação custo x benefício.