Conforto x Engenharia

Aparentemente, é muito difícil nos dias de hoje ter um carro que seja capaz tanto em termos de engenharia quanto de conforto. Por engenharia, entenda-se partes mecânicas: um motor econômico, isento de vibrações, potente; um câmbio de engates justos e precisos, com um belo escalonamento; uma suspensão moderna, capaz de oferecer conforto aos ocupantes e ao mesmo tempo prazer ao motorista em andar rápido; uma boa posição de dirigir, com comandos à mão; e uma sensação geral de solidez do automóvel.

 

Já o conforto é isso mesmo: bancos aveludados; acabamento preciso e com bons materiais; existência de equipamentos como sensores, computador de bordo, ar digital, etc.;

 

Essa dualidade não se repete em todas as categorias, mas existem casos notórios: optar pela engenharia superior do Voyage ou pelo conforto de um 207? O Voyage é bem mais gostoso de guiar, a suspensão é melhor, o carro apresenta mais solidez. Em compensação, pelo mesmo preço de um Voyage completo, mas sem nenhum equipamento digno de nota, é possível levar pra casa um 207 Passion com câmbio automático, quatro airbags, ABS, sensor de chuva e de iluminação, e diversas outras amenidades.

 

No segmento dos hatches médios, o consumidor pode ficar na dúvida entre um 307 ou um Stilo recheados de opcionais, ou um Focus GLX sem tantos equipamentos, mas com a melhor suspensão do mercado. Essa distinção é ainda mais expressiva no segmento de sedãs médios, onde o Civic LXS, uma aula de engenharia sobre rodas com uma lista de equipamentos simplesmente miserável, é um concorrente direto de um C4 Pallas, ou um 307 Sedan, carros com equipamentos de babar na gravata e uma solidez no mínimo questionável.

 

Carros que pontuam bem nas duas frentes são poucos, em nosso mercado. E, em muitos casos, cobram caro por isso, pois costumam ser os carros bons de engenharia recheados de opcionais. É o caso do Polo, do Focus, do Corolla. E, quando vêm em pacote fechado, são carros caros por natureza: Jetta e Fusion.

 

Não acho que a escolha de um fator sobre o outro signifique uma superioridade intrínseca. Vai do gosto do comprador. Mas é uma pena que os carros realmente bons, nos dois sentidos, custem caro.

 

 

 

Comentários

Conrado disse…
O Jetta custa módicos 40 mil reais no México, o brasileiro só tem o que merece.
Kleberson Silva Uzberk disse…
Malditos impostos brasileiros!
Hunpf!
Paulo disse…
Meio "off-topic" essa questão de impostos aqui mas...

É, de fato os "impostos" deveriam atuar como freios do mercado. Mas todo mundo está comprando carro novo. Adivinhem quando isso vai mudar?

Abraços
Kleberson Silva disse…
Falei em "impostos" fazendo referência ao que o Conrado disse em seu comentário (anterior ao meu)...

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