Feo pero cumplidor

Logan com fila de espera? Ok, pode ser a novidade ou simplesmente baixa produção por parte da Renault. Mas puxa, numa terra onde carros são sumariamente julgados pelo seu design, como um dos automóveis mais feios de todos os tempos conseguiu esse sucesso?

Sim, existe o custo benefício. As versões mais atraentes, Expression 1.0 e 1.6 8v, partem de menos de 30 mil reais, embora absoltamente básicas – o kit com vidros e travas elétricos, ar-condicionado e direção hidráulica custa expressivos 5 mil reais, ou 15% do valor do carro básico. Neste preço, 35 mil, as opções são Prisma e Siena 1.4, Fiesta Sedã 1.0 (talvez um 1.6 básico). Nada que ofereça o sabor de novidade do Logan, embora o novo Siena que vem aqui tenha ficado realmente bonito – é uma opção válida, com menos espaço, mas mais requinte.

Difícil identificar neste começo se a proposta mesmo de carro espaçoso está vingando entre os consumidores. Deisgn é um conceito individual, enquanto espaço é mensurável. Talvez esta aposta tenha sido bastante correta pela parte da Renault.

A minha opinião é a mesma do Jeremy Clarkson, o apresentador do Top Gear (para os não iniciados, é um jornalista inglês especializado em automóveis e tido como referência no assunto em toda a Europa. Seu nome virou até verbo; se seu carro foi criticado por ele, você foi “clarksoned”. Top Gear é o programa semanal sobre carros da BBC e absolutamente o melhor do mundo a este respeito).

Num programa, ele destrói com um martelo um Perodua Kelisa, um carro feio na Malásia com a proposta de ser barato – e totalmente desinteressante. A argumentação do Clarkson é a de que deveriam ser extintos fabricantes que visam apenas o lucro. Carros devem ser construídos com paixão, para entreter seus motoristas e fazê-los sorrir, enquanto ao mesmo tempo atendendo suas necessidades. Só ser barato não vale. Concordo com ele. Precisamos de mais Fiats Punto e menos Renaults Logan.

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