A fórmula

Já rodam a todo vapor as especulações em relação à Fórmula 1. Qual equipe estará melhor, qual vai patinar, como serão os duelos entre Raikkonen, Massa, Alonso e Hamilton. Eu, sinceramente, pouco me importo.

Não sou um daqueles órfãos do Senna que se recusam a ver F1 desde 94. Sempre gostei e acompanhei o esporte, mas acredito que hoje em dia ele esteja num patamar meio etéreo, sem muita ligação com o mundo real. Explico: com as regras atuais, não existe um carro assombrosamente melhor que o outro (alguém lembra da Williams com suspensão ativa no início da década de 90, que dava tanta raiva por propiciar vitórias suaves a Nigel Mansell enquanto o Senna penava com a McLaren?), e também não há mais espaço para que um piloto se sobressaia. Por mais que a era Schumacher tenha sido horrivelmente tediosa, pelo menos ali havia um pilot realmente talentoso, que se sobressaía. O problema destes anos não era o alemão em si, mas a absoluta falta de concorrentes à altura. Fangio não seria Fangio sem Stirling Moss, assim como Senna, Prost e Mansell não seriam que foram sem os outros.

Existe ainda o problema dos circuitos, que têm se tornado algo extremamente homogeneizado. É ridícula a existência de corridas em Hungaroring, por exemplo, uma pista travada, quase sem pontos de ultrapassagem, e extremamente tediosa (embora eu respeite sobremaneira o fato de, neste circuito, terem sido realizadas provas de F1 durante a época da cortina de ferro). Mônaco é outro sem graça em termos de corridas, embora charmoso. A maculação que fizeram com a pista alemã de Hockenheim foi ridícula, matando as melhores retas da F1 em prol de um monte de curvas sem graça. E nem falo sobre tirarem Spa-Francorchamps do calendário...

Mas as corridas são chatas mesmo em circuitos que ainda preservam qualidades, como Interlagos, Magny Cours, Sepang, Monza. Como mudar?

Minha sugestão é que a F1 se tornasse duas categorias diferentes. Numa, peso, motores, chassis e regulagens seriam extremamente rígidas, abolindo-se inclusive a eletrônica por completo. Seria uma competição praticamente monomarca, onde a grande diferença entre os carros estaria no piloto. Uma espécie de Stock Car com os melhores pilotos do mundo.

A outra seria uma espécie de força livre. Os limites poderiam ser dados nos boxes, em relação à quantidade de combustível e pneus utilizados. De resto, toda a eletrônica e tecnologia para deixar os carros mais rápidos e mais leves. Some-se a isso preocupações extremas com a segurança e temos uma categoria onde as equipes farão a diferença, usando o estado da arte em tecnologia automobilística em prol do desmepenho. Acredito que assim, inclusive, as montadoras seriam estimuladas a desenvolver novos componentes que poderiam chegar aos carros de rua.

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