Novo Gol

E finalmente acabou o embargo imposto pela Volkswagen às revistas e o novo Gol, ou Gol NF, veio à tona. Eu lembro bem do lançamento do gol de segunda geração, em 94. Foi um super acontecimento, o país todo esperando a revolução do carro mais vendido, que à época estava anos-luz atrasado em relação à concorrência. E o Gol hoje conhecido como bolinha foi, de certa maneira, uma decepção. Era apenas equivalente – no máximo – à sensação do momento, o Corsa, então igual ao vendido na Europa. Resolvia duas grandes falhas – o minúsculo porta-malas e a falta de espaço para as cabeças dos passageiros do banco de trás – e mantinha várias outras, como o volante torto e o motor longitudinal.

Esta carroceria foi a responsável por colocar a família BX (Parati e Saveiro, com a morte do Voyage) no incrível mundo da injeção eletrônica (que o Uno já tinha há dois anos, exceção feita evidentemente ao Gol GTi) e dos carros com quatro portas. A carroceria evoluiu no que é comumente considerada hoje a melhor fase do Gol, popularizada como G3, mas na verdade um face-lift sobre a geração antiga. O raciocínio da Volks foi muito válido à época: “temos defeitos de plataforma, e não podemos consertá-los. Então vamos investir em outras frentes”. O Gol G3 compensava o voante torto com um ótimo acabamento, iluminação azul, no painel, boa oferta de opcionais e versões interessantíssimas, como os GTI de quase 150 cv.

Bons tempos aqueles. As montadoras em geral tomaram um baita tombo quando as vendas crescentes de 1997 não se concretizaram nos anos seguintes. Tome crise, demissões e necessidade de redução de custos. O Gol G4 é fruto desse cenário sombrio. Plástico por toda parte, câmbio ruim, painel pior ainda. Lixo, carro abominável, o mundo seria melhor se ele nunca tivesse existido.

Em 2008, o cenário é outro. Os recordes de vendas de automóveis vêm sendo consistentemente batidos. Mesmo com aquele Gol porcaria custando o mesmo preço do G3, a VW manteve-o como líder em vendas no País. Se é a hora de uma nova geração, então devemos esperar algo totalmente novo, que simbolize esse crescimento, certo? Um investimento alto, que com certeza será amortizado ao termos o carro mais vendido do País transformado também no melhor compacto do País, certo? Não.

Eu posso engolir o uso da plataforma de Fox e Polo. Não é a melhor do mundo, mas tem boas qualidades e se presta bem ao uso em carros pequenos. O desenho ficou feio de doer, mas esta é uma questão de gosto pessoal. Tudo bem que a qualidade de construção do carro é mais precisa e está ao nível do Polo, referência nacional da VW em termos de construção. Toda essa precisão milimétrica para que o carro 1.6 completo custe praticamente o mesmo que um carro infinitamente superior, um Focus! E nem preciso apelar ao custo-benefício incrível do Ford. Gol 1.6 completo, 40 mil reais. Polo 1.6 igualmente completo, R$ 43 mil. Por três mil reais de diferença, qual você leva?

Ah, mas o forte do Gol está nas versões 1.0. Um gol 1.0 pelado a 31.200 reais? Este é o preço que a Ford pede num Ka completo, que é uma opção melhor sob qualquer ponto de vista.

O que a Volks fez com o novo Gol não foi mais do que a obrigação. Motor transversal toda a concorrência tem. Câmbio de engates precisos o Ka também tem. Cobrar mais caro por isso, nenhum deles faz. Isso é OBRIGAÇÃO do projeto.

Num trecho da matéria, o repórter diz: “Tudo no Gol é, pelo menos, honesto”. Tirar nota cinco e passar de ano também é honesto. É isso que você quer para o seu filho?

Mais uma vez a VW perde a chance de realmente provar que entende de automóveis e que se preocupa em conquistar o consumidor. Só não foi a mesma coisa que a GM fez com o Vectra pois esta conseguiu PIORAR o carro na nova geração. O Gol 5 é melhor que o Gol 4, está no nível do 3, e é simplesmente competitivo em relação à concorrência. Não é melhor e, portanto, não justifica o preço absurdo.

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