Quando dirigir se torna um sacrifício

Pedimos licença aos leitores de outros lugares (embora os de grandes cidades possam se identificar).

O paulistano desaprendeu a dirigir. Não que soubesse muita coisa, cortesia do exame ridículo para tirar CNH e do esquema de compra de cartas. Mas, após passar dias e noites preso em engarrafamentos, o paulistano esqueceu de como fazer as coisas depois de engatar a quarta marcha.

O resultado disso é que dirigir nos horários e dias nos quais o trânsito alivia um pouco tornou-se um martírio. Começa pelos que não andam acima de 60 por hora em hipótese alguma, não importa a avenida e nem a faixa. Costumam ser os mesmos que precisam dobrar as esquinas a 5 km/h e que levam dez minutos com o pisca ligado para mudar de faixa.

Depois vêm os caminhoneiros, esta praga que foi banida da cidade em determinados dias e horários e que, por conta disso, se considera rei das ruas quando podem trafegar. E tome caminhão na faixa da esquerda, caminhoneiro que acha que está disputando corrida, os que não respeitam faixas e nem sinais vermelhos - afinal, trocar de marchas novamente para acelerar é pior na lista dele do que atropelar uma pessoa.

Em nossa opinião, entretanto, os mais irritantes são os que se consideram bons no volante. São aqueles que sempre estão certos. Nunca precisam dar seta, andam grudados no carro da frente, avançam na faixa de pedestres jogando o carro sobre o carro ao lado para "ter prioridade" na mudança de faixa à frente, consideram que ultrapassar pela direita é algo normal e acha, seguro andar a 70 por hora em ruas residenciais com carros parados dos dois lados e trezentos cruzamentos. A pressa deles é a mais importante do mundo. São irritantes por si só, e ainda mais ao considerarmos quão perto eles colocam os outros motoristas de graves acidentes. 

Por tudo isso, dirigir tem se tornado um sacrifício cada vez maior. São vários os entusiastas que, se puderem, vão de passageiros ou com outros meios de transporte, só para evitar essas situações. Gente boa de volante que dá lugar a esses selvagens.

Comentários

Anônimo disse…
Bem vindo ao meu mundo. Bem vindo à Curitiba.
Anônimo disse…
Pelo visto é uma praga generalizada... aqui em Recife é assim mesmo, o que mais tem é o terceiro perfil descrito.

Outra praga comum aqui na cidade são os "automobilistas urbanos". São os manés com motos e carros superesportivos que disputam provas de arrancada em plena cidade: param no sinal, aceleram com tudo no verde... para parar no próximo sinal. É muita emoção... emoção negativa para os pobres moradores, pois tais "provas" são realizadas à noite - o trânsito do dia frustra o "esporte" desses imbecis.
Rafael Dal Moro disse…
Prezados, jah morei em varias capitais (Ctba, Porto Alegre, Sao Paulo e Bsb) e dirigi em tantas outras ( Salvador, Rio, Recife, Maceió, BH).

Na minha opinião, o melhor motorista (na media) eh o paulistano! Sacrifico eh dirigir em Brasília ou Porto Alegre....essas características bem apontadas no texto são elevadas a enesima potência nessas duas capitais.

Dirigir devagar na pista da esquerda, andar colado no carro da frente, invadir a outra faixa de rodagem para virar a esquina, são comportamentos corriqueiros....

Eu mesmo larguei o carro e soh uso metro aqui no DF. Deixo para dirigir nas viagens e eventualmente nos finais de semana.

Abs e pbens pelo otimo texto!
Fernando Nappe disse…
Caro Dub, como vai?

Esse comportamento deve ser um "default" do motorista brasileiro (salvas as exceções). Moro em cidade do interior, que você leva 20 minutos pra ir de uma ponta a outra, e tudo o que descreveu temos aqui, e acrescento: 1) motociclista que não respeita preferencial, vai se esgueirando rente a sarjeta e entra; 2) Pedestres que NÃO usam calçadas;

Realmente, complicado...

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