Teste: “New” Fiesta hatch SE 1.6 16v



Para a catgoria dos hatches, esta geração do Fiesta traz a mesma ruptura que o Corsa “ovinho” de 1994. É um daqueles carros que definem um novo patamar. Basta ver como o Punto – que é um carro bonito – envelheceu perto dele, e mesmo lançamentos como o Sonic não surpreendem. E isso sem falar no Polo, que já está fazendo mais do que hora extra no mercado...

O Fiesta é o compacto global da Ford, válido tanto para o mercado europeu – no qual o Fiesta é um dos carros mais vendidos há várias gerações – quanto para o mercado norte-americano que começa a dar valor aos modelos pequenos. É a mesma estratégia da Fiat com o 500 (que aliás compartilha a plataforma com o novo Ford Ka europeu), só que num carro um pouco maior e sem o visual retrô.

E num carro com tantas resposabilidades a Ford não ia vacilar no design. O Fiesta é uma aula de design moderno e avançado: faróis dianteiros afilados, vincos fortes, linha de cintura fortemente ascendente, e mesmo assim um vínculo com o restante da linha Ford.

A aura moderna continua no interior. A cabine do Fiesta consegue mesclar modernidade com familiaridade nos comandos – sabe-se instintivamente onde fica tudo (com exceção do péssimo comando de ar-condicionado no estilo de picapes, aquilo não precisava né dona Ford?). E é muito agradável ver um carro novo melhorando, e não piorando, o acabamento. O novo Fiesta traz um material emborrachado no painel, de bonita textura e incomum na categoria, com encaixes precisos e, na versão de topo avaliada, bancos de couro com detalhes em branco de muito bom gosto (o que não se pode dizer das maçanetas das portas, bem pobrinhas...). Já o cluster, embora modernoso, não é dos melhores: a visibilidade é ruim em algumas áreas e o marcador de temperatura foi substituído por luz-espia.




Encontrar uma boa posição de dirigir é fácil, com amplos ajustes do banco e em profundidade e altura do volante. O volante tem ótima pega e conta com comandos do som que, aliás, é um show à parte: desenvolvido em parceria com a Microsoft, inclui bluetooth e comandos por voz (que funcionam, é bom frisar), entrada USB e auxiliar.

O espaço na frente é ótimo, mas não se pode dizer o mesmo da traseira, até pelo porte do carro. Dois adultos não muito altos vão bem, mas com gente um pouco maior o aperto lateral e para pernas fica evidente. O porta-malas é forrado e de fácil acesso, com 290 litros – bom para a categoria, auxiliado pelo estepe de uso temporário.




Quem empurra o Fiesta é o motor Sigma 1.6 16v, bastante elogiado no M4R quando testado no Focus. É uma unidade que poderia se beneficiar de uma variação no comando de válvulas para oferecer mais torque em baixa. Como está, é um motor multiválvulas “à antiga”: menos torque em baixas rotações do que um similar oito válvulas, mas uma entrega de potência surpreendente nos giros mais altos. É uma delícia guiar motores assim esportivamente, já no anda-e-para das cidades um pouco menos. Ao menos mudar de marcha é um prazer, com um câmbio de engates curtos e precisos e uma embreagem de curso pequeno.

Agora, falando em câmbio... não dá pra entender a preguiça da Ford em colocar um câmbio automático nesse carro. Ao importar o Sonic da Coreia do Sul, a GM optou por trazer SOMENTE a versão com câmbio automático. O Fit, caro e menos equipado, nada de braçada. Polo e Punto oferecem versões automatizadas. E o Fiesta... nada. PELO AMOR, dona Ford. Assim como o Focus implora por um câmbio melhor do que aquele troço de quatro marchas oferecido hoje, o Fiesta pede mais ainda a opção de um automático. Realmente fica fácil de entender a distância da Ford, em termos de vendas, em relação a Fiat, VW e GM quando nos deparamos com estas falhas absurdas.

Os freios do Fiesta são muito bons, auxiliados por ABS e EBD (em que pese o uso de tambores atrás), e a modulação do pedal é boa, como em todo Ford. O carrinho tem Hill Holder, que segura os freios em aclives e declives (no caso de ré engatada) por alguns instantes após o motorista soltar o pedal.

A suspensão usa conceitos comuns (McPherson à frente e eixo de torção atrás) com resultados muito bons em estabilidade e também em absorção de impactos. É mais um representante da ótima escola Ford de acerto de suspensão.

Além da suspensão, o controle do carro é favorecido por uma direção elétrica de boa precisão em velocidades mais altas e grande leveza em manobras, uma daquelas conveniências que não se consegue ficar sem após experimentar.

Mais estranho é o espelhinho extra no retovisor esquerdo, que aumenta o campo de visão da péssima lente plana. Não é tão bom quanto um espelho biconvexo, mas quebra o galho. Outro detalhe, este exclusivo da versão de topo. são as luzes diurnas de LEDs no pára-choque.


O grande destaque do Fiesta em equipamentos são mesmo os sete airbags da versão de topo, no que o compacto é superior a carros muito mais caros. No entanto, em vários outros detalhes (nada crucial) a lista de equipamentos do Fiesta é inferior à dos concorrentes: ar-condicionado manual (e com aquele péssimo controle de piacpes), vidro um-toque somente para o motorista, ausência de alças de teto e iluminação nos espelhos dos pára-sóis, abertura e fechamento dos vidros à distância, retrovisor fotocrômico, chave canivete, sensor de estacionamento e sensor de chuva e luminosidade – todos equipamentos disponíveis de série ou opcionais em concorrentes como Punto e Polo.


Comparar estes dois, aliás, dá uma boa ideia das mudanças na “filosofia” de se fazer carros dos últimos dez anos. O Polo é herdeiro da “revolução” dos médios iniciada por Golf IV e Focus em 1999: ótimo acabamento e muitos detalhes de carros superiores para um mercado global aquecido, em crescimento e exigente (o Polo até hoje reúne detalhes supreendentes para sua categoria, como a iluminação nos para-sóis, ar digital com ajuste de meio em meio grau, maçanetas internas em metal, porta-copos escamoteável, tampa do porta-malas completamente forrada e com dobradiças pantográficas que o Jetta não tem). O Fiesta, muito mais moderno, reflete de certa forma um jeitão mais pragmático de se fazer carros: substituição de itens caros (como o porta-copos escamoteável) por um moldado no console central - igualmente funcional e muito mais barato; painéis de porta com menos tecido; e assim por diante. Por outro lado, o Fiesta traz a tecnologia embarcada, como o Hill Holder e um sistema de som muito mais moderno.

Tudo considerado, o Fiesta é hoje sem dúvida a escolha mais moderna entre os compactos. É um carro global, ousado, dotado de bons itens de segurança (especialmente os sete airbags da versão de topo) e com todos os equipamentos básicos, embora pudesse ter alguns detalhes a mais.


Quem não fizer questão de câmbio automático, tem no Fiesta uma excelente opção. Quem quiser, faça o favor de enviar um email para a Ford contando da venda que eles perderam por serem uns idiotas.




Estilo 10 – É o único carro à venda no Brasil por menos de 80 mil reais que diz “bem-vindos ao século XXI”.

Imagem – Fica muito bem nas mãos de homens e mulheres jovens.

Acabamento 9 – É dois melhores da categoria nos encaixes e nos materiais, com destaque para o painel macio. As maçanetas das portas destoam.

Posição de dirigir 9 – Bancos ótimos e com amplos ajustes. O volante é uma delícia.

Instrumentos 4 – Falta marcador de temperatura, o computador de bordo não é dos mais completos e a cobertura distorce parte dos mostradores.

Itens de conveniência 7 – Tem os equipamentos básicos, mas deixa a desejar em amenidades.

Espaço interno 6 – É um compacto: muito bom na frente, apertado atrás.

Porta-malas 8 – Bom pelo tamanho do carro e de fácil acesso, auxiliado pelo estepe temporário.

Motor 9 – O Sigma é uma delícia, com bons números de potência e torque, econômico e com ronco de personalidade. Um torquezinho maior em baixa seria bom.

Desempenho 9 – Não vai faltar motor em nenhuma situação, especialmente pilotando em altos giros.

Câmbio 0 – Engates curtos, precisos, bom escalonamento, embreagem curta e macia, blá blá blá CADÊ O AUTOMÁTICO????

Freios 8 – Tambor atrás é broxante, mas o conjunto funciona bem, ajudado pelo ABS e EBD.

Suspensão 9 – Conceito antigo, mas uma calibração excelente.

Estabilidade 10 – É um carrinho gostoso de andar rápido, sempre na mão. Difícil de provocar.

Segurança passiva 10 – Para a versão de sete airbags. A de air bag duplo ainda vai, tristeza é a versão de entrada não ter nenhum.

Custo-benefício 8 – Está na média de preço da categoria, é competitivo em equipamentos e único em modernidade.

Comentários

Fabiano disse…
O New Fiesta é um dos poucos que seguem à risca o significado de "nova geração", onde quase nada (ou nada) é reaproveitado do modelo anterior.
Perde para o Rocam apenas em espaço traseiro e torque até 2000rpm. E no top nacional, há controle de vidros completo (1 toque sobe/desce nas 4, anti-esmagamento e subida na chave).
De resto, o New ganha de lavada.
Anônimo disse…
Ainda prefiro o Focus... Ainda mais o novo!!! Pena q o preço tbm vai refletir o ar de novidade...
Sujeira disse…
tem um ótim texto sobre o Fiesta aqui:

http://sujeiranagaragem.blogspot.com.br/2012/01/brasil-colonia-ford-fiesta.html

O Fiesta novo é muito legal realmente, mas o preco é para poucos.
Anônimo disse…
Prefiro o Cadenza, é maior e mais pontente.
Vitor disse…
Excelente os testes do Jetta e Fiesta Dub!

Tenho um Tiida SL, gosto bastante do carro, bastante honesto e bem equipado, mas confesso que sinto saudade da dirigibilidade do Focus, e o ronco daquele motor sigma... creio q esse Fiesta tb deve ser muito bom!

Abs!

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