A mesma cara, o mesmo banco...

O lançamento da linha 2013 dos remodelados Gol e Voyage reacende o debate sobre a similaridade dos carros da mesma fabricante. A VW optou por um caminho agressivo de frentes quase iguais, nos carros citados e também em Fox e Passat – e não somente no Brasil, mas mundialmente: o novo Polo tem a mesma cara e o Golf 7 deve seguir a mesma linha.


Quem leva a ideia ao extremo é a irmã Audi: todos os carros, do A1 ao A8, são muito parecidos de frente.


No M4R defendemos o caminho do meio: por um lado, frentes muito parecidas desvalorizam os carros mais caros e transformam a linha toda numa mesmice. Por outro lado, carros muito distintos não consolidam a imagem de uma marca, fazendo com que o patrimônio da identidade seja perdido.


Uma boa demonstração deste segundo exemplo é a Fiat. Retire os logos e é difícil dizer que Uno, Grand Siena, Punto, e Freemont são da mesma marca. Isso sem contar em versões como Palio Fire e Mille. E assim a Fiat, que poderia imprimir identidade italiana a seus carros no Brasil, acaba sendo uma marca inócua, sem personalidade. É bem diferente na Europa: Punto e Bravo, carros vendidos lá e cá, têm um pouco da alma italiana ausente no restante da linha brasileira.


Um bom exemplo de carros com o mesmo conceito visual, mas sem se confundirem na mesmice, é a linha New Edge da Ford dos anos 2000: Ka, Focus e Mondeo na época usaram brilhantemente ângulos e elementos triangulares para criarem identidades fortes e que conversam entre si. Mesmo a linha anterior da VW usava com suavidade uma linha ligando as grades superior e inferior na dianteira com ótimos resultados (Fox de primeira geração, Polo antes da última remodelação, Jetta 5, etc).


Tudo é mais fácil para as marcas com menos produtos em linha. Ninguém reclama de Gallardo, Murciélago e Aventador serem parecidos na linha da Lamborghini.

Comentários

Gustavo disse…
De fato. Acho que a VW levou a questão da identidade ao pé da letra demais. Concordo também que a Fiat não possui uma identidade. Nem a Chevrolet, nem a Renault.

Acho que as únicas que mantém uma identidade natural é a Peugeot, Kia.
Gustavo disse…
Dub, queria aproveitar esse espaço para perguntar tua opinião sobre o novo carro da Hyundai, o HB20. Pelas projeções ele parece ter bastante estilo, sem contar que tem o nome da marca Hyundai. Tu acha que ele vai mexer no mercado dos R$ 30 mil?

Eu achei que o novo Palio causaria mais impacto, mas vejo muito poucos na rua. Na minha opinião ele ficou com um ar de chinês.

Com o HB20, e o Onix da Chevrolet eu vejo a Ford e a Renault sem produtos capazes de competir. A Peugeot e Kia sempre foram de nicho, ao meu ver, eles continuarão com os mesmos clientes.

p.s.: Valeu pela discussão sobre etanol, acho que tu tem razão.
Sílvio T disse…
Acho que o modelo anterior do Gol tinha uma cara mais agressiva. Agora ficou mais japonês.

E, em BH, o Novo Pálio tem fila de espera e já é muito visto nas ruas. Talvez em SP é que as vendas não estejam boas.
Leroi disse…
Já faz tempo que a maioria dos modelos não tem personalidade. O mercado dita as regras, sempre.

Inté!
Dubstyle disse…
Gustavo,

Sempre um prazer conversar com quem argumenta. Muito melhor do que "você deve andar a pé pra ficar falando mal do *carro qualquer*"...

Em breve falamos do HB20.

Postagens mais visitadas deste blog

Comparativo: Celta Life 1.0 VHC x Palio 1.0 Fire

Teste: Chevrolet Zafira Elegance 2.0 automática

Teste: Hyundai Azera 3.3 V6