Peugeot? Será?

Neste final de semana duas pessoas muito próximas trocaram seus Peugeots 307 em outros carros. “Me livrei!”, ambas disseram. Carros muito parecidos: dois 307s prata 2.0 automáticos a gasolina, ambos Feline, um hatch 2006 e um sedã 2007. Pouquíssimo rodados: o hatch com 22 mil km, o sedã com 15 mil.

Filés, certo? Eu compraria ambos os carros de olhos fechados, se não fossem Peugeots. Sob todos os pontos de vista, são belos automóveis: 143 cv, amplo torque, acabamento de nível superior, fartura de equipamentos: câmbio automático com trocas manuais, retrovisor fotocrômico, ar-condicionado bi-zone, bancos em couro, airbag duplo, ABS, freios a disco nas quatro rodas, sensores de chuva e de luminosidade, computador de bordo completíssimo, e por aí vai. Nenhum dos dois bateu e eram bem-cuidados pelos primeiros donos.

Então, qual o motivo da venda? Porque ambos os proprietários juram de pés juntos que Peugeot, nunca mais? Porque carros tão bem conservados e bem equipados foram dificílimos de revender, com concessionárias recusando-se a aceitar os veículos e oferecendo preços ridículos nas trocas? O hatch vale, na tabela FIPE, R$ 39.200 e foi vendido por R$ 34.000 na troca por um Corolla XEi novo, de R$ 65 mil.O sedã vale R$ 46.700 na tabela e foi vendido por R$ 31.500, na troca por um VW Bora de R$ 58 mil. (As avaliações com certeza seriam melhores caso os proprietários tentassem vender os carros para particulares, mas nenhum deles é disso).

O que aconteceu? A lista de problemas dos carros é imensa: câmbio horrível, que dá trancos e limita o desempenho; consumo excessivo, com médias de 5 km/l na cidade; motor que falha em marcha lenta e morre quando mais exigido; lâmpadas queimadas a granel; suspensão com rangidos; diversos barulhos no interior devido a falhas no acabamento. E uma impressão geral de fragilidade, que o carro vai quebrar na próxima esquina. Lembremos que os carros somados não tinham 40 mil km.

Ainda hoje os produtos da Peugeot têm problemas de confiabilidade. Não são automóveis que aparentam solidez, embora eu tenha certeza que existem casos, vários até, de Peugeots por aí que rodaram 100 mil km nas piores condições sem nenhum problema. Mas esta é a exceção, e no geral os carros ainda parecem pouco adaptados para a realidade de má manutenção e piso muito ruim que temos no Brasil.

Hoje, optar por um Peugeot é levar para a garagem um pacote muito atrativo de design, equipamentos e acabamento, mas com problemas em confiabilidade que minam o prazer de ter o carro e destroem ainda mais o valor de revenda, quando o estado do carro e sua durabilidade assumem um peso grande. Não acho inválido ter um Peugeot – comparar a lista de equipamentos de um 307 e de um Civic é covardia, o Honda fica parecendo um Corcel. Mas sem dúvida é um ponto no qual a empresa precisa ter atenção se quiser ter mais sucesso no mercado.

Comentários

kleber disse…
Tambem tenho essa tendência de entregar o usado na concessionária por ser menos trabalhoso, tem problemas com multas e tal...

Dub, vc tem algum material on-line sobre o procedimento da papelada envolvida na venda para particular?
Israel Mendes disse…
Concondo integralmente com o post. O padrão de construção dos carros da Peugeot não inspira confiança. De fato, tem veículos muito equipados e com ótimo acabamento, mas perdem muito em confiabilidade. Não bastasse, a rede de concessionárias é ruim, que o diga quem já foi atendido no pós-venda. Uma pena.
A pergunta que fica é: E o 308? Será se chega ao Brasil com essas limitações? Seria um bom negócio?
Dubstyle disse…
Kleber, não tenho. Sei que é necessário olhar em sites como Detran e Denatran para verificar pendência de multas, e também checar se existem débitos de financiamento, se o carro estiver alienado. Talvez o Webmotors ou o Carsale, que têm classificados, possuam algum material.

Israel, o 308 não fez sucesso na Europa. Não que venda mal, mas está longe de ameaçar a hegemonia de Golf e Focus. Lá o destaque o 308 é a segurança, tanto para passageiros como para pedestres, argumento de vendas que não convence por aqui.
Rodrigo disse…
Muito bom o post, preciso. Já tive um 206 e a maior parte dos problemas constatados também no 307. Resumo da ópera, são bonitos mais ordinários. Ps: quando puder entra no meu blog: http://blogcaroo.zip.net
Abçs
Perfil Sistemas disse…
Será que isso foi resolvido no Peugeot 208? lançamento atual Março/Abril 2013 já esta no site da Peugeot estão falando muito nele.

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