Comentando o comentário

Recebemos um comentário anônimo bem escrito, estruturado, que merece nossos comentários (em itálico) em um post, dado que temos uma visão diferente.

Pois é, nós percebemos que ficamos velhos quando começamos a dizer "no meu tempo é que era bom...". Mas podemos reclamar o quanto quisermos, o futuro vai chegar mesmo assim.

Vai mesmo. Só que o futuro pode ser muito diferente do que imaginamos hoje. É só ver como se projetava o mundo atual nas décadas de 50-60.

Os carros elétricos chegaram para ficar.

Elétricos sim, mas o que não é óbvio a nosso ver é como a energia será fornecida e qual será a rapidez de adoção. Existe um problema com composição química de baterias e descarte de que ainda precisa ser resolvido. A adoção voluntária (pessoas comprando) a carros elétricos ainda é muito baixa mesmo quando eles são competitivos em preço.

Particularmente, acreditamos primeiramente num modelo de veículos híbridos com pequenos motores a combustão funcionando com E85 ou biobutanol (molécula semelhante à gasolina porém que pode ser obtida de fontes renováveis), e depois nos veículos movidos a hidrogênio. Isso começará como nicho em países desenvolvidos e depois será expandido muito lentamente para os outros. No Brasil levará bastante tempo, até porque já temos uma alternativa limpa com o etanol.

As fabricantes tradicionais terão que mover-se rapidamente, ou ficarão para trás em definitivo. Acabarão extintas ou atendendo um mercado de nicho. Poderiam fazer carros melhores, mais divertidos de pilotar? Sim, mas quem se importa com isso somos nós, os entusiastas. Um mercado muito pequeno para as fabricantes de grandes volumes.

Sim, concordamos totalmente. O que não impede a fabricante de ter um mísero modelo entusiasta. O Sandero RS é um passo na direção certa. Não dá pra entender porque a VW não transforma o Gol GTI em realidade: já fez estudos, design, teve alta aceitação, tem o câmbio, tem o motor, só não tem pessoas com cérebro ocupando cargos de liderança.

Sobre a crítica do texto aos motivos da eletrificação, faz sentido agora. Mas vai chegar o dia em que eletricidade será gerada de maneira limpa e isso não deve demorar muito. Já a queima de combustíveis fósseis sempre será poluidora.

Temos restrições quanto ao “não deve demorar muito”. Alguns países da Europa estão de fato avançados, porém mesmo assim o que conseguem hoje é fazer “um dia somente com energia renovável”. Trump está revitalizando a energia a carvão nos EUA. Infelizmente, a “limpeza” da matriz energética tradicional vai demorar, ainda mais com as críticas ao modelo nuclear e principalmente hidrelétrico.


Adoro carros, sou grande fã dos esportes a motor, mas não adianta reclamar da evolução. O negócio é aproveitarmos essas últimas décadas para curtir o que gostamos e talvez tomar algum gosto pelo novo. Já ouvi dizer que dirigir um Tesla é fantástico (do seu próprio jeito) e vi videos de um Tesla P100D dando pau em Mustangs modificados e um Nissan GT-R em prova de arrancada. Não faço ideia de como é o comportamento dinâmico de um carro desses, mas gostaria de experimentar.

Assinamos embaixo. Defendemos a coexistência: com certeza carros elétricos têm sua atratividade, e honestamente não imaginamos pegar trânsito pesado com um Mustang 67. A cada qual sua hora, e que o entusiasta tenha opções na hora de simplesmente se transportar ou na hora de se divertir.


Comentários

PVS_ disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
PVS_ disse…
Bom dia! Me chamo Paulo Souza e fui eu quem escreveu o comentário mencionado no texto. Que aliás não foi intencionalmente anônimo, já que usei a credencial do Google para comentar. Não sei o que aconteceu. Coisas da tecnologia.

Em primeiro lugar, depois de reler o que havia escrito, achei que fui infeliz dando a impressão de estar chamando de velho quem escreveu o post, ou até o comentarista anterior. Não foi essa a intenção. Foi apenas uma reflexão, pensando mais em mim do que em vocês.

Sobre o texto, acredito que não discordamos fundamentalmente em nada. Todas as questões levantadas são válidas e parte dessa discussão ainda é um exercício de futurologia. Ainda assim, há alguns pontos que eu gostaria de adicionar:

Está claro que ainda existem problemas em relação às baterias, apesar da evolução notável alcançada nos últimos anos. O principal problema é que os métodos atuais de produção e descarte (além do tempo de vida) praticamente invalidam o argumento do uso da energia elétrica a favor do meio ambiente. O mesmo vale para a geração da energia. A alternativa solar está aí e a Tesla (além de outros) está desenvolvendo tecnologia para que as residências possam gerar e armazenar energia suficiente para seu próprio consumo e abastecimento do veículo. Acontece que produzir e depois reciclar ou descartar os componentes necessários (painéis solares, baterias), com a tecnologia atual, prejudica o meio ambiente tanto quanto outras tecnologias de geração convencionais. Esses problemas serão resolvidos, mas pode demorar. Ainda assim, acredito que a eletrificação dos carros vai ocorrer independente disso, apesar da contradição.

Sobre a adoção voluntária a carros elétricos, a Tesla tem atualmente 500.000 pedidos, só do Model 3, esperando para serem atendidos. Isso equivale a 25% de todos os carros vendidos no Brasil em 2016. Quem entrar na fila agora, só deve receber seu Model 3 no final de 2018. Então penso que não seja o caso das pessoas não estarem dispostas a comprar, mas sim de conseguir produzir um volume desses atualmente. Claro que, pensando em Brasil, a adoção vai demorar mais.

Concordo com a opnião sobre os modelos híbridos. É só ver os anúncios recentes de que a partir de 2019 Aston Martin e Volvo só produzirão veículos híbridos ou elétricos, influenciadas pelas novas regulamentações que começam a surgir nos países europeus.

Concordo também sobre as montadoras terem algum modelo para entusiastas. O exemplo do Gol citado é particularmente interessante, porque além de tudo seria um carro relativamente acessível. Muito diferente por exemplo da Honda, que está pensando em trazer o Civic Type-R para o Brasil em 2018, um carro que pouquíssima gente poderá comprar. Aí não adianta muito...

Fico na torcida para que o M4R possa nos presentear com o review de um elétrico ou híbrido em um futuro próximo.

Abraço!

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