Reflexo

É interessante notar como os produtos das montadoras no Brasil refletem a estratégia global das matrizes.

Na VW, o foco é se tornar líder em vendas. E pra vender altos volumes precisa ser barato. Então o Gol recebe melhorias, o Fox também, lança-se o up!, motor 1.0 de três cilindros, agora o novo 1.6 16v. Anos de letargia com o Golf 4,5 tornaformam-se num Golf 7 lançado a preço competitivo, derrubando a concorrência; atreve-se com Golf GTI, para chamar consumidores às revendas, e passa ser sinônimo no imaginário do brasileiro de tecnologias como “motor turbo downsizing” e “cambio de dupla embreagem” (a sigla DSG está perigosamente próxima de virar sinônimo do equipamento).

A Fiat está preocupada em unir-se com a Chrysler e aplicar essa sinergia na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, o foco está na construção da fábrica em Pernambuco. E aí a linha de carros sofre: um face lift aqui e acolá, um equipamento a mais, e os anos vão passando. Com exceção talvez do 500 e da Freemont, importados, a linha brasileira da Fiat hoje não tem nada interessante ou inovador.

A GM precisa fazer dinheiro. Entenderam que com uma linha obsoleta isso não seria possível, então atualizaram os carros – mas só o suficiente para não passar vergonha. Vejam como o Onix é legal, mas não mais que o HB20; como o Cobalt é legal, mas não mais que o Logan; mesmo o Cruze, projeto internacional, não é mais legal que o Civic. A ideia é ter carros que sejam bacanas o suficiente para vender bem, mas a empresa não está disposta a investir muito para isso. Veja que nem sempre isso é ruim: foi a economia de escala que incentivou a GM a aplicar o ótimo câmbio automático de seis marchas em toda a linha.

A Ford está confortável na quarta posição, com uma boa relação entre investimentos e lucro. Parece não querer brigar pela liderança. É aquela pessoa que não sabe se entra na piscina, mas está gelada e aí fica só molhando as pernas. Então faz o New Fiesta, mas não é agressiva nos preços para disputar com o HB20; traz o Focus, mas não equipa com motores EcoBoost; demora eras glaciais para lançar o Ka, pois não quer investir mais para acelerar o desenvolvimento. E quando opta por trazer um carro tal e qual lá fora, nos mercados nos quais a Ford briga de verdade, consegue sucesso absoluto, como o Fusion.

Comentários

Anônimo disse…
A questão crucial é o "reflexo" chegar ao preço ao consumidor final...
abs e continue os ótimos tópicos/posts.

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