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Camioneta

 A gente tenta gostar do autoentusiastas, juro. Tem coisa boa lá. Mas obrigar a chamar perua, ou station wagon, de "camioneta", é delírio de quem não saiu dos anos 60. Quem sabe com menos ranço vai mais gente no próximo encontro presencial.

Difícil é enxergar o óbvio

Aconteceu o que era totalmente previsível no aniversário de 100 anos da GMB: a agência de marketing, sob a aprovação da empresa, fez um evento triste e um vídeo baratinho feito com IA com erros históricos pavorosos (um Chevrolet 38 num evento de 1932 e um Opala 1969 na construção de Brasília em 1961), investindo muito mais na Fernanda Torres como locutora do que no conteúdo.   Os mais pragmáticos dizem que tudo bem. Que a GMB tem mais é que olhar pra frente mesmo, que não adianta gastar dinheiro com o passado.   Pois aqui nós achamos que ignorar a sua história é um erro estratégico brutal.   Vamos olhar mara o mercado futuro. É de se imaginar que, no mundo ocidental, a proporção de automóveis vendidos em 2050 será algo em torno de 1/3 elétricos, 1/3 híbridos e 1/3 a combustão (ICE, internal combustion engine). É claro que isso vai variar de país para país; na Noruega os elétricos já dominam; na América Latina ainda vai demorar.   Esta proporção é base...

Teste: Chevrolet Caravan Diplomata SE 1992

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  (Todas as fotos créditos de Brunelli Veículos Antigos) Talvez o maior salto tecnológico que o brasileiro tenha feito numa troca de carros, considerando uma diferença de um único ano-modelo na mesma marca, seria o proprietário de um Opala ou Caravan 1992 dando seu carro na troca por um Omega ou Suprema 1993. Numa só tacada a pessoa entregava um carro cujo projeto remontava aos anos 1960, e pegava um muito mais moderno (embora o Omega seja um carro dos anos 80 na Europa). Qualidade de construção, acabamento, opcionais, eletrônica, não havia um senão para essa troca. Eram mundos diferentes.   Um dos charmes da linha Opala e Caravan atualmente é esse: permitir retomar a experiência de condução de um carro projetado nos anos 60, submetido a melhorias ao longo dos anos, mas essencialmente um produto daquela época. Qualquer outro carro vendido nos anos 90 já é muito próximo ao que temos hoje – embora mesmo assim bem mais envolvente do que as geladeiras sobre rodas que nos empur...

100 anos de General Motors no Brasil

A General Motors completou 100 anos de Brasil no dia 26 de janeiro deste 2025. Para isso fizeram um evento patético poucos dias antes, com uma amostra ridícula dos carros que fizeram essa história. Um Chevette, um Opala, uma Caravan, uma Ipanema (feia por sinal), uma Veraneio, e um Opala e Omega de corrida (stock car). Sério, simplesmente NÃO TINHA Kadett, Omega, Suprema, C10, D20, nem mesmo Corsa que foi o sucesso que foi!.   Os carros não têm culpa que a “gestão” da empresa é formada por um bando de incompetentes. Então, em respeito aos carros que fizeram essa história, e às pessoas que passaram por lá e que efetivamente fizeram um bom trabalho, publicamos aqui um extenso teste de um GM histórico.

Mustang merecedor

  Aqui no M4R a gente odeia a Ford com todas as forças por ter tomado a decisão de desmantelar a operação brasileira, demitindo milhares de trabalhadores, unicamente devido à falta de competência de uma liderança vergonhosamente bem remunerada que não soube fazer exatamente aquilo que era paga pra fazer, que é tocar a operação com lucratividade. E a presença das outras fabricantes no Brasil mostra que isso é perfeitamente possível.   Mas a gente precisa reconhecer que em algum momento isso permitiu à Ford tomar algumas decisões interessantes para o entusiasta. Claro que estamos falando da importação do Mustang e, mais recentemente, a decisão de trazê-lo com câmbio manual.   Já queremos elogiar a propaganda do Mustang atual, no qual ele aparece junto com um Mustang da primeira geração e ao final vem o texto “desde 1964”. Homenagear a história sempre terá lugar em nossos corações, especialmente uma tão rica e significativa quanto a do Mustang.   Agora, apar...

F1 e pensamentos

  Alguns pensamentos aleatórios sobre Fórmula 1 agora que passou o GP do Brasil.   - A diferença entre a pilotagem do Max e a do Lando é a mesma entre um diretor e um analista numa empresa. O analista pode falar que ele faz tudo que o diretor faz, e pode até estar certo, mas o diretor tem o cabelo branco (ou falta de cabelo) que faz a diferença quando importa. Por isso que ele é diretor, por isso que o Max é tetra campeão mundial.   - Sendo jornalistas, não dá pra entender essa babação de ovo pela Mariana. O que ela faz é o que se espera de um bom repórter que tem décadas cobrindo o mesmo assunto. O repórter é pago para obter fontes, ganhar a confiança das pessoas, conseguir informações, filtrar o joio do trigo, as mentiras das verdades, e repassar para a audiência de forma que esta entenda. É exatamente isso que ela faz. Não tem nada de brilhantismo, muito menos furo de reportagem ainda mais num ambiente com mídia controlada e dezenas de assessores de imprensa co...

Teste: Chevrolet Cruze LT 1.4 turbo

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  O fim da linha Cruze na GMB é mais um prego no caixão da morte dos sedãs médios. A predileção do consumidor brasileiro por SUVs, e o fato da Toyota ter lançado um Corolla espetacular em termos de design, equipamentos, tecnologia e motorização, significaram que o segmento fechou para os outros fabricantes. VW e Honda mantiveram versões caras e de nicho de Jetta (GLI) e Civic (híbrido). Com o respeito devido à GMB que manteve o Cruze em linha enquanto pôde, é uma pena ver o final de uma linhagem de sedãs marcantes como Monza e Vectra, ainda que o Cruze tivesse muito pouco a ver com estes. Com certeza o declínio nas vendas não tem a ver com a qualidade do produto. O Cruze, mesmo nesta versão de entrada LT, é um carro agradável, sólido e bem construído. O design, embora atual, é bastante genérico, o que sem dúvida não contribuiu para que o carro tivesse um maior reconhecimento por parte de seus compradores. O design interno conversa com a linha atual da GM, porém com qualidade ...

Pequenas diferenças filosóficas

Jornalistas automotivos costumam não se ater a esses detalhes, pois ficam pouco tempo com os carros em teste e isso não chega a ser ressaltado. Nosso modelo de testes em alguns carros é outro, o que permite notar pequenas diferenças no uso de cada carro, que não tornam um necessariamente melhor que o outro, mas que podem agradar mais ou menos o motorista.   Uma diferença que salta aos olhos é se a fabricante concentra todos os comandos ou a grande maioria deles na central multimidia ou se coloca botões redundantes na cabine para acionamento direto daquela função. O exemplo que vem à cabeça primeiramente é do ar-condicionado e do sistema de som, mas não só isso. A Toyota, por exemplo, permite que o motorista habilite o farol alto automático por meio de um botão no painel. Outro botão na porta habilita o rebatimento dos retrovisores externos, que pode ficar desligado, automático (funciona quando o carro é trancado) ou ligado, que rebate os espelhos imediatamente. Na Jeep, ambas f...

ERRAMOS: Teste Jeep Commander

  Temos que fazer duas correções no teste da Commander que publicamos recentemente.   Uma é sobre o painel digital. Ele é mesmo de alta definição. O problema é que a fonte e as cores que a Jeep escolheu são péssimas e fazem com que pareça meio embaçado, pouco definido, especialmente o celocímetro e conta-giros que têm um fundo cinza azulado que não contrasta direito com os números, péssima escolha.   A outra é sobre o desempenho. Claro que não dá pra esperar milagres de um motor 1.3, por mais turbo que seja, puxando quase 1,7 tonelada com o motorista. Mas a Jeep tomou uma decisão de deixar a abertura do acelerador bem gradual, de modo que para extrair mais desempenho é necessário – obviamente – apertar o pedal até o final do curso, ou pelo menos passar da metade. Achamos esse arranjo bem melhor do que o feito por muitas fabricantes como Hyundai que é colocar 90% de borboleta aberta com o pedal aberto a 30%, o que dá uma sensação de desempenho grande, porém deixa o...

Dois comentários rápidos sobre Fórmula 1

Esses dias estávamos assistindo Drive to Survive, mas o da temporada 2021. É muito legal porque mostra bastidores, conversas a portas fechadas, a relação entre equipes e patrocinadores, a pressão das empresas que bancam pilotos, a negociação para George Russell na Mercedes, realmente tinha um quê de informação de bastidores.   A edição da temporada 2023 que saiu no final de fevereiro parece mais um documentário pago, chapa branca total. Todos os episódios seguem a receita: apresenta a equipe > passa por dificuldades > dá a volta por cima. Em algum momento os criadores do DTS tomaram uma bronca pelas informações de bastidores, ou as equipes não quiseram revelar mais esse conteúdo, de forma que a série perdeu muito, mas muito da graça.   A Alpine é uma equipe francesa com dois pilotos franceses. Em 2023 fizeram uma sacanagem absurda com o diretor da equipe Otmas Szafnauer (que é romeno-americano) e mandaram o cara embora no final de semana do GP da Bélgica, meio da...