7.3.14

Vou de táxi. #sqn

Alguns economistas têm colocado publicamente que os paulistanos (embora isto possa ser válido para outras metrópoles, os cálculos iniciais foram feitos para São Paulo) deveriam adotar táxis em seus deslocamentos diários, no lugar do carro particular. Segundo eles, em trajetos de até 34 km diários (17 km de ida e volta) o táxi sai mais barato.

Não vamos entrar no mérito das contas. De fato, se somarmos todos os gastos com carro, inclusive a depreciação, a conta faz sentido.

Mas o problema é que só a conta faz sentido. É como escolher a mulher pra casar pelo fato dela cozinhar bem. Não se está considerando todos os aspectos da equação.

Começa pelo fato de que não existe uma multidão de táxis te esperando na porta da sua casa todos os dias. É preciso ter um ponto de táxi próximo – que nem sempre terá carros à espera – ou então chamar táxis de cooperativas, que levam horas para chegar na sua casa, isso quando estão disponíveis. Os aplicativos de chamar táxi ajudam bastante na equação, mas também não são infalíveis: não são incomuns histórias de taxistas que cancelam corridas do nada, ou que simplesmente não aparecem. E tem o fato do táxi acertar o endereço da sua casa: ele pode errar o número, parar mais longe, e se isso não é muito importante em dias ensolarados, na chuva não é tão simples.

Depois do rolê de conseguir o táxi, tem a corrida em si. Em São Paulo pelo menos a maioria dos carros é relativamente nova (no Rio, nem tanto). Aí tem o fato de conversar com o taxista, o que muitas vezes pode ser bacana, em outras nem tanto. Depois tem a briga pelo ar-condicionado: taxistas andam com o ar desligado para economizar centavos e, quando você entra no carro sob um sol de rachar, normalmente o interior está aquele forno. Aí tem o constrangimento de pedir pro taxista ligar o ar, pois aparentemente o cara acredita que um(a) executiva(a) curte andar com os vidros abertos, levando fumaça de caminhão na cara e sob risco constante de assaltos. E depois que o cara liga o ar, ainda pode acontecer de o carro continuar quente pois o ar está fraco ou não chega no banco de trás, ou então gelar tudo de vez e você sai do táxi parecendo um pinguim. Então o taxista começa a dirigir e, embora muitos se comportem bem, a parcela dos sem noção é grande: tanto os que se julgam o novo Ayrton Senna quanto aqueles que, de verdade, não deveriam estar dirigindo por representarem um risco para si, para os outros e contribuindo ativamente para o nó do trânsito. Chega então a hora de pagar o táxi, e ou você está preparado com o dinheiro na mão – e bastante dinheiro, que ir daqui até ali de táxi já custa 50 reais – ou então pega um dos poucos que aceitam cartão, e aguenta a cara feia do taxista que só vai receber aquele dinheiro dali 30 dias, como se a culpa fosse sua.


Não é tão simples. Substituir o transporte individual não é fácil.

3 comentários:

Anônimo disse...

E tem outras situações.

Ir no supermercado, ir num hospital de noite, ir viajar.

Anônimo disse...

De fato, existem muitas outras situações ! Mas a questão é que tudo está ficando cada vez mais caro e difícil nesta terra tão mal administrada !

Anônimo disse...

mostrar para o vizinho que tem carro 0km não tem preço..para todas as outras existe ...