Postagens

Dê valor ao seu dinheiro

Dois carros apareceram hoje custando 100 mil reais. Um é um projeto novo, lançado mundialmente no Brasil, de uma marca premium, equipado com um motor igualmente novo e que acaba de ser convertido para flex. Tem 165 cv, suspensão independente do tipo McPherson nas quatro rodas, design atraente, enfim. O outro é vendido há seis anos no Brasil, sofreu um ligeiro facelift há dois, vem de marca generalista, a origem é um projeto de baixo custo, tem o mesmo motor com 143 cv desde o lançamento, suspensão traseira por eixo de torção e nenhum equipamento digno de nota. O que faz a Renault achar que o Fluence, cuja única atração era o custo-benefício, pode custar 100 mil reais? O Lancer não custa isso, bem o C4 Lounge, nem o Jetta 1.4, até o multimilionário carro dos xeiques árabes Civic Geração 10 tem versões a menos de 100 mil. Aí a Jeep lança um modelo novo, bacanudo, bonito, razoavelmenbte equipado (sim existem deslizes na lista de equipamentos, especialmente cobrar à parte ...

Por carros mais baratos

Ficamos bastante entristecidos com este editorial do Best Cars. Este site, que sempre norteou e ainda norteia nossas avaliações pela riqueza de detalhes e franqueza total com que fala dos automóveis, a nosso ver prestou um desserviço com esta informação. Há anos que lutamos contra a subserviência que tomou de assalto a imprensa automobilística no Brasil. Diante da enorme crise do jornalismo, com demissões em massa a cada dia, é até natural que os repórteres e editores do setor se agarrem aos seus principais anunciantes e fiquem com medo de escrever avaliações negativas sob pena de perderem os anúncios e, consequentemente, os empregos. O BCWS inclusive é vítima de um boicote da GM que dura vários anos, desde a época em que o site falou as verdades reais sobre produtos horrorosos que a GM empurrou goela abaixo dos brasileiros. Aí tivemos uma época tenebrosa em que barbaridades do tipo “o Peugeot 207 ficaria muito caro para o Brasil; o Golf V fiaria muito caro para o Brasil” for...

Hyundai HB20 branco

Eliminada a auto-propaganda implícita deste texto , ele é muito válido. Mercados muito menores que o Brasileiro têm uma variedade muito maior de modelos à venda. Quem visita a Grécia se surpreende com a variedade de carros nas ruas, muito maior que aqui, e isso num País falido há anos. Um impeditivo está nos combustíveis. Só o Brasil adiciona 27% de etanol à gasolina e só aqui carros são flexíveis em combustível. Somos defensores ferrenhos do etanol, e aqui é das poucas coisas em que acreditamos que o Brasil está realmente mais avançado do que outros países. Porém, poderíamos ter adotado uma solução menos “jabuticaba”, como por exemplo padronizar o combustível em E85, que é 85% etanol e 15% gasolina. Resolve o problema de partida a frio, alinha com os modelos “flex” vendidos nos Estados Unidos, e acaba com a palhaçada da variação da quantidade de etanol na gasolina. Outro impeditivo está na elevadíssima taxa de importação. Quando Collor reduziu estes impostos no início da déca...

Despedida: Chevrolet Corsa Classic

Imagem
Antes de começarmos a escrever esta nota, fomos pesquisar nos alfarrábios do M4R o que já publicamos sobre o Chevrolet Classic. Coitado. Que dó. Batemos de com força, como se diz lá no Goiás. Algumas vezes até apareceu positivamente – dissemos que o compraríamos ao invés de um Gol G4, o que convenhamos não é muito elogio. No entanto, na maior parte das vezes foi bastante criticado, especialmente a má dirigibilidade e o parco espaço interno. Foi um carro que começou a vida até meio chique, como a versão sedã do Corsa ovinho, um fenômeno de vendas. Era vendido em versões GL e GLS e inclusive por alguns anos com opcional de câmbio automático. Em 2010 tivemos a oportunidade dedar uma volta num GLS e foi muito interessante ver um Corsa com acabamento de veludo nas portas e nos bancos, todo chique. Depois com os anos ele abandonou esse segmento, dando espaço ao Corsa 4300, e foi brigar nos sedãs pequenos já com motor 1.0. E ali ficou até o final da carreira. Sua longevitade foi t...

Quanto vale um Golf?

Imagem
(foto: belo clique do WM1) Pelo facebook, a Quatro Rodas acaba de dar visibilidade a mais um estudo mostrando a maluquice financeira que se tornou ter um carro no Brasil. A revista inglesa Auto Express avaliou o custo de compra, manutenção e seguro de um Golf 1.4 TSI em diversos países do mundo. Nós compilamos os dados na tabela abaixo, convertidos de libra para real pelo câmbio de hoje, 4,36 reais por uma libra: Preço de Compra Custo da gasolina por litro Seguro Total PIB Austrália 64471,32 3,10 2943 76267,74 150114,8 Japão 86297,48 4,32 915,6 99557,98 123095,88 Emirados Árabes 72249,56 1,44 1796,32 78160,85 231437,52 África do Sul 71900,76 3,10 1146,68 81900,86 43429,96 Brasil 97406,76 3,88 4050,44 112555,14 50654,48 Venezuela 76195,36 2,01 854,56 82...

Lucro das montadoras

Um amigo chamou a atenção para um tópico que não estávamos considerando nessa questão dos preços absurdos cobrados pelas montadoras. “É preferível manter o dinheiro no banco do que investir”. Numa economia em busca de equilíbrio como a brasileira, a instabilidade é prato cheio para remineração de capital sem risco e sem trabalho. Imagine um americano e um brasileiro, ambos com um milhão de dólares livres para investir. O americano tem três opções: 1.    Investir numa aplicação segura e cujo rendimento está atrelado à taxa de juros do País. No caso, rendimento de 1% AO ANO. 2.    Investir na Bolsa de Valores. Risco alto, boa chance de retorno. 3.    Investir num negócio. Existe um alto risco que pode ser mitigado com um bom planejamento, e chance de retornos elevados. O brasileiro tem três opções: 1.    Investir numa aplicação segura e cujo rendimento está atrelado à taxa de juros do País. No caso, vinculado a uma taxa Seli...

Diferenças entre carros antigos e novos

Este texto do Boris Feldman no AE foi a dica para escrevermos sobre algo que já pensávamos há algum tempo, porém sem achar o “gancho” para escrever sobre. Gancho aliás é jargão jornalístico que pode ser mal traduzido como motivo. Não temos este saudosismo com carros antigos, longe disso. Pode ser que os mais antigos, versados em afinar carburadores, lixar platinado e trocar cabo de acelerador, sintam falta de sentirem-se “no comando” do carro, aptos a resolver qualquer coisa, e sintam-se frustrados ao se depararem com um problema de mecânica moderna que fuja de sua compreensão. De fato, uma pane mecânica num carro moderno é quase sempre motivo para chamar o guincho. Essa modernização é inclusive refletida no manual dos carros. O livreto do Fusca 72 que testamos há algum tempo dedica quase metade de suas páginas a ensinar o motorista como resolver problemas mecânicos do carro, meter a mão na graxa mesmo. Basta pegar o exemplo mais simples que é a troca do óleo do filtro de ar:...

Civic Geração DEZrespeito

Esta semana estão saindo as avaliações do Novo Civic, ou “Civic geração 10”, com certeza uma sinalização que o carro é DEZrespeitoso com os clientes, dado seu preço. Não restam dúvidas que o carro é bom – esperamos poder confirmar em breve com um teste por aqui –, mas pouco importa dada a faixa de preço. Comentários do tipo “o tempo dirá” se o preço é alto só mostram o conformismo excessivo da imprensa especializada. A avaliação divulgada pelo UOL, ontem trazia todos – sim, todos, absolutamente todos – os comentários de leitores criticando o preço. Será que os jornalistas não perceberam que esse é o ponto? Aliás mega bola fora do WM1 – a nova “cara” do Webmotors – justificando que o Civic Touring é “o” carro no título da matéria. Amigos, por 125 mil reais só se viesse com V12 da Ferrari. Podia custar 100 mil que ainda traria bastante lucro à Honda, podem ter certeza. Ao menos um parágrafo, do tipo: “uma pena que esta excelência ficará restrita aos que podem dispor de 125 mil reais ...

Corrigindo os abusos

O Fusion foi por um bom tempo uma excelente escolha com base em custo-benefício. Um carro da categoria de Accord e Camry, vendido no Brasil a preço de Corolla. Não que o preço oficial fosse baixo; sempre esteve no topo da tabela. Mas era nítido que, alguns meses após o lançamento, as concessionárias Ford reduziram drasticamente o preço do carro (por decisão da montadora, que de boazinhas elas não têm nada) e tornaram-no altamente competitivo. Lembramos que o Fusion Mk1 saiu do mercado sendo ofertado a menos de 70 mil reais, valor 10 mil reais abaixo do principal concorrente, o Jetta 2.5, e semelhante ao do Civic de topo. Com o Fusion Mk1,5 aconteceu a mesma coisa. O preço sugerido pelo Fusion estava muito alto? Não, era coerente com o mercado. O que aconteceu foi a execução de uma estratégia vitoriosa da Ford em posicionar o modelo como uma opção válida no segmento de luxo, ao mesmo tempo em que mantinah um lucro razoável sobre o produto – cujo custo de produção no México deve...