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Chevrolet Sonic

Esse Chevrolet Sonic é um engodo.   Não tinha como ser diferente. Após anos definhando a engenharia no Brasil, como que a GMB ia querer fazer um novo carro? Não há IA que substitua o talento de gente experiente, ainda mais numa tarefa tão complexa quanto construir um carro.   Aí o que temos é um Onix com uma frente nova e feia, e um marketing tentando vender o carro como um SUV cupê, o que ele não é. É um Onix alto. Pior ainda é que, ao afirmar isso, o primeiro carro que vem à mente, e que a imprensa está comparando, é o Nivus, um dos desenhos mais bonitos que temos e que só deixa ainda mais claro como esse Sonic é uma atrocidade.   O motor também é igual, claro. Como a GMB não tem engenharia, eles precisam de artimanhas e subterfúgios para tentar combater a crise de confiança que se instalou na alegada falta de durabilidade da correia dentada. Se tivessem engenharia, trocavam numa corrente, punham um motor novo, tomavam alguma providência.   Mas não,...

Um toque

Brasileiro tem um tesão inexplicável em vidro elétrico. Deve achar o máximo apertar aquele alarme Positron após sair do carro e o vidro subir sozinho. Ápice da masculinidade, nível legendários. Só isso pra explicar as atrocidades que cometem em carros com a humilde manivela, trocada por um kit de botões genéricos que não tem nada a ver com o carro e uma gambiarra horrorosa no sistema elétrico. Tudo isso pra não dar 3 voltas numa manivela. O vidro manual tem muitas vantagens, sendo a principal que você pode operar o vidro com o carro desligado. É também bem melhor em precisão, para deixar o vidro em qualquer posição intermediária. O elétrico tem uma vantagem: abaixar com um toque só, facilitando quando nos aproximamos de um totem de estacionamento por exemplo. Não defendemos o fim dos vidros elétricos, não é isso e nem tem como. Mas se seu carro tem vidros manuais, mesmo que somente nas portas traseiras, aproveite. Feliz 2026!

Teste: Honda Civic Hybrid (híbrido) e:HEV

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  Quase apanhamos. Talvez não tenhamos apanhado pois nosso amigo ficou com medo que a gente piorasse. Ele achou que com certeza a gente estava despirocado quando dissemos que esse Honda Civic não deixa a desejar para uma BMW 320i.   É forçoso entender que tanto Civic quanto Corolla às vezes dão saltos quânticos em qualidade de uma geração para outra. Hoje, ambos têm o porte de Accord ou Camry de duas ou três gerações atrás, e comportamento até melhor. O Corolla é outro carro se comparado à geração anterior. Evolução brutal mesmo, se a Toyota quisesse poderia ter dado outro nome.   A Honda já havia feito isso no Civic G10, o último que tínhamos fabricado no Brasil. Um salto de qualidade absurdo em relação ao antecessor, e por sua vez o “New Civic” de 2006 foi outro salto quântico. O Civic atual aprofunda essa melhoria com um refinamento que não é comum nessa categoria. Se tiver a oportunidade, abra e feche as portas de um e conta pra gente se não é do mesmo nível d...

Meu primeiro carro híbrido

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  Como é dirigir um carro híbrido pela primeira vez? Apostamos que muitos estão se fazendo esta pergunta ao considerarem trocar o seu carro e analisar as diversas opções híbridas (e elétricas) disponíveis tanto novas quanto usadas. Mas o que um motorista acostumado com carros a combustão pode esperar? Ficamos estas semanas com um Honda Civic Hybrid e podemos passar essa impressão em primeira mão. Oportunamente faremos também o teste do carro no formato já costumeiro do blog. Só aqui você lê oportunamente e costumeiro na mesma frase, quão satisfatório é sair da escrita de estagiários e inteligências artificiais. O primeiro impacto é ao apertar o botão de partida e não ouvir o familiar barulho do motor de arranque levando um motor a combustão à vida. Você aperta o botão e o silêncio permanece. A reação imediata é buscar algum sinal de que o carro está realmente ligado. Alguns emitem um leve zunido. No caso do Honda, o que nos avisou foi o painel que imediatamente acendeu e,...

O melhor saiu

  A Jeep lançou o Commander renovado para 2026 e eliminou duas versões do portfólio, a Longitude 5 lugares e a Overland com o motor Hurricane 2.0T de 272 cv, além de abaixar o preço de todas as versões.   Não se apeguem muito a essa queda de preço; o Commander e todos os carros da Jeep têm descontos substanciais nas concessionárias, e que afetam ainda mais este modelo devido à concorrência acirrada com os chineses. Foi somente formalizado algo que já acontecia na experiência de compra, e vai continuar acontecendo.   O que faltou nessa renovação foi justamente a adoção da hibridização para o motor 1.3T, que se ressente de precisar empurrar os 1700 kg da Commander, particularmente saindo da inércia. Um motor elétrico entregando torque instantâneo faria maravilhas para a sensação dinâmica desse carro. Aparentemente virá no próximo ano-modelo.   Enquanto isso, a Jeep matou a nosso ver a versão mais interessante do Commander, a Overland 2.0T. A de cinco lugare...

Impressões: VW Tera 170 TSI MT

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  Vamos assumir logo de cara que avaliação estática é um golpe baixo. Vai ser algo necessariamente superficial, afinal de contas não dirigimos o veículo e se considerarmos que sua principal função é locomover pessoas, estamos deixando de fora a principal razão do carro existir. É verdade e continuamos acreditando nisso. Porém, também precisamos entender que o dirigir dos automóveis está cada vez mais parecido, especialmente nas marcas e carros generalistas. E, principalmente, como temos muito pouco tempo e interesse pelos carros novos, achamos que era melhor publicar essas impressões do Tera do que nada. Mérito também do Tera. Fosse um carro qualquer, mais um na multidão, e não estaríamos aqui compartilhando nossas impressões. Já andamos e temos material para falar nossas impressões do Taos, por exemplo, mas esse carro é tão sem graça que não vemos motivo para esse esforço. O Tera não. O Tera passa a sensação de um projeto bem cuidado desde o princípio, com a contribuição de ...

Desconto instantâneo

https://www.uol.com.br/carros/listas/volkswagen-ja-anuncia-carros-19-mais-baratos-apos-reducao-do-ipi.htm   Se você ficou desconfiado da VW anunciar descontos no mesmo segundo em que o governo anunciou a redução, você está certo. De duas uma:   A VW teve visibilidade antecipada das medidas e já havia planejado os descontos; ou   A VW aproveitou a medida para oficializar descontos amplamente aplicados nas concessionárias, com isso reposicionando os produtos no mercado sem impactar os consumidores que compraram esses automóveis pelos preços antigos – que não devem ser muitos por conta dos descontos como mencionamos.   A boa notícia é a ampliação de versões do Polo turbo manual, um dos carros de dinâmica mais interessante disponíveis para o afegão entusiasta que não recebe supersalários ou dividendos isentos de imposto.

Teste: Honda ZR-V Touring

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  (fotos: AutoEntusiastas e Divulgação/Honda) O teste está abaixo, mas em respeito ao seu tempo já vamos colocar nossa opinião final no primeiro parágrafo: este carro é a Honda zombando e rindo da cara dos seus clientes. Não compre se você valoriza seu dinheiro. É um carro que parece ter sido planejado por comitê, sempre adotando soluções de compromisso. O Top Gear tinha uma frase famosa difícil de traduzir: “that’ll do”, algo como “isso será suficiente”, usada para definir quando uma fabricante simplesmente abre mão de colocar algo de excelência e decide aceitar uma solução de segunda classe (ou pior que isso como veremos no caso do ZR-V). Este carro surge de uma lacuna na linha Honda entre o HR-V, representante na categoria dos SUVs compactos, e o CR-V que se começou a vida como SUV do Civic, hoje está mais na categoria do Accord, superior. É um carro global, vendido no Japão, Austrália, Oriente Médio e China – mas não encontramos na lista de modelos da Honda nos EUA. Inf...

Camioneta

 A gente tenta gostar do autoentusiastas, juro. Tem coisa boa lá. Mas obrigar a chamar perua, ou station wagon, de "camioneta", é delírio de quem não saiu dos anos 60. Quem sabe com menos ranço vai mais gente no próximo encontro presencial.

Difícil é enxergar o óbvio

Aconteceu o que era totalmente previsível no aniversário de 100 anos da GMB: a agência de marketing, sob a aprovação da empresa, fez um evento triste e um vídeo baratinho feito com IA com erros históricos pavorosos (um Chevrolet 38 num evento de 1932 e um Opala 1969 na construção de Brasília em 1961), investindo muito mais na Fernanda Torres como locutora do que no conteúdo.   Os mais pragmáticos dizem que tudo bem. Que a GMB tem mais é que olhar pra frente mesmo, que não adianta gastar dinheiro com o passado.   Pois aqui nós achamos que ignorar a sua história é um erro estratégico brutal.   Vamos olhar mara o mercado futuro. É de se imaginar que, no mundo ocidental, a proporção de automóveis vendidos em 2050 será algo em torno de 1/3 elétricos, 1/3 híbridos e 1/3 a combustão (ICE, internal combustion engine). É claro que isso vai variar de país para país; na Noruega os elétricos já dominam; na América Latina ainda vai demorar.   Esta proporção é base...