Postagens

Ponto de saturação

Será lançado em breve nos EUA o novo Sonata, a aposta da Hyundai no segmento médio daquele país. Concorrerá com Accord, Camry, Malibu... e o nosso Ford Fusion. Na linha de produtos coreana, o Sonata ocupa justamente o lugar entre o i30 e o Azera, um carro de maior porta que deveria competir originalmente com os alemães de entrada (BMW série 3, Mercedes classe C). Hoje, a briga entre Azera e Fusion chega a ser covarde. O Azera é ao menos tão grande quanto, é mais equipado e oferece motor V6 por R$ 10 mil a MENOS que o Fusion de 4 cilindros. O Fusion V6, que briga razoavelmente em pé de igualdade, é R$ 30 mil mais caro. Muita coisa. No segmento médio, onde o i30 não tem uma vantagem de preço significativa frente a seus rivais, a coisa muda de figura. Infelizmente ainda convivemos com dinossauros como Golf 4,5, Stilo e Astra. No entanto, um embate entre i30, Focus e C4 é bastante parelho, e em comparativos realizados por revistas especializadas o Ford e o Citroën ficaram à frente do corea...

Recall do capitalismo

Eu sei quais os motivos dessa quantidade enorme de recalls de diversas montadoras. A origem de tudo é o próprio sistema econômico no qual elas estão inseridas: o capitalismo selvagem. Isso aqui não é um ranço comunista. Um blog entusiasta por automóveis não pode defender nunca coisas como Lada Laika e Zaporozhets, pelo menos não como a totalidade da frota. O capitalismo vai bem, obrigado, mas não em sua variação selvagem. Esta selvageria impõe o seguinte: lucro máximo, sempre. Tudo o que puder ser feito em prol do lucro máximo será feito. E aí você vê as empresas tirando os notebooks dos gerentes que, através de uma análise feita por TI, trabalham sempre no mesmo lugar e, portanto, não precisam de um computador móvel. Ignorando, claro, o efeito nefasto que isso tem na relação deste gerente com o trabalho. Outros lucros máximos envolvem oferecer o mínimo plano de saúde possível, e pedir para os funcionários arcarem caso queiram ter um atendimento minimamente civilizado. E, um clássico d...

Os poucos e bons projetos

A qualidade de um parque automobilístico é diretamente proporcional à quantidade de lançamentos de bons carros que acontecem no país. Para ficarmos no exemplo americano, as grandes de Detroit simplesmente desaprenderam a fazer carros a partir da segunda metade da década de 70, e ficaram mais de dez anos produzindo veículos horripilantes, com motores antigos, pouca potência e muito consumo, e um comportamento dinâmico digno de um queijo. Foi bem nesse período que as montadoras japonesas e alemãs se estabeleceram no mercado nos EUA, oferecendo produtos muito melhores, carros realmente novos e bons. De maneira geral, um carro novo pode seguir dois conceitos: o da excelência ou o do conformismo. Um bom exemplo de excelência é o McLaren F1, um carro no início dos anos 90 que é respeitado ainda hoje pelos aficionados em velocidade. Ele não tinha compromissos: tudo ali era voltado ao desempenho máximo. O cofre do motor era revestido com ouro, mas não para ficar bonito; ouro é o metal que melh...

Aos de estômago forte

Direto do Carplace: A Honda lança no México o novo City. O sedan brasileiro, produzido na fábrica da Honda localizada em Sumaré – SP, chega ao mercado mexicano com apenas duas importantes diferenças: a primeira é a entrega mais equipamentos desde a versão de entrada e a segunda é o preço equivalente a menos da metade do cobrado no Brasil. No México, todas as versões são equipadas com freios à disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar condicionado além dos vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo que equipa a versão vendida no Brasil, ou seja, um 1.5 litro que entrega 116 cv de potência. Por lá, a versão de entrada será oferecida por 197 mil pesos mexicanos, o que equivale a cerca de R$ 25.800. No Brasil, o City LX com câmbio manual (versão de entrada) que não conta com freios ABS, tem preço sugerido de R$ 56.210. ----------------------- Juro que nessas horas dá vontade de apoiar quem sonega imposto. Governo inútil.

Dr. Goebbels

Da coluna do Fernando Calmon no Webmotors: GRUPO Caoa/Hyundai surgiu, em 2009, como maior anunciante da indústria automobilística e quinto no ranking geral do Ibope Ratings. Além de superar a Fiat, gastou 53% a mais em publicidade que a Volkswagen. Algo surpreendente para uma empresa detentora de apenas 2,4% de participação de mercado, contra aproximadamente 24% de cada uma das duas maiores.

A passo de formiga...

O consumidor brasileiro é bizarro. Em primeiro lugar, o que importa na aquisição do carro é o preço. Cidadão tem 50 mil pra investir num automóvel e fica na dúvida entre um EcoSport, um Fit, uma Meriva e um Golf. Difícil imaginar carros com propostas mais distintas do que esses quatro, com apenas uma coisa em comum: custam menos de 50 mil. O resultado disso é a família apertada e levando menos bagagem do que gostaria, ou o consumo excessivo de combustível, ou alguma outra ocorrência que deixe bem claro a inadequção daquele carro para aquele uso. O consumidor brasileiro médio não pensa no uso que fará do carro: roda sozinho na cidade, mas, como está ganhando bem, manda um Fusion V6. Ou aboleta o carro de tralhas do filho recém-nascido e opta por um Astra hatch ou ainda uma 207 SW, que é perua só no nome, com aquele porta-malas exíguo de 313 litros. Além de não se preocupar com o uso que fará do carro, o consumidor brasileiro médio também não se preocupa com os custos envolvidos na po...

Descanse o pé

Resumindo de forma grosseira, existem quatro tipos de transmissão para automóveis no mundo. A mais comum é a manual, na qual o condutor seleciona as marchas através do câmbio e do auxílio de uma embreagem. Temos a automática, na qual um sistema complexo envolvendo um conversor de torque faz as trocas de marcha automaticamente. É mais antigo do que pensamos, tornando-se popular nos Estados Unidos já na década de 50 (a Cadillac parou de oferecer carros manuais antes dos anos 60 e só retomou a prática 30 anos depois). Temos ainda a CVT, que andava esquecida e que tivemos por aqui no Fit da geração anterior e no Sentra. Um grupo de polias adapta-se à velocidade e à abertura do acelerador, dando a impressão de marchas infinitas. E, por fim, existe o câmbio automatizado, um manual com operação eletrônica, dispensando o pedal da embreagem. Todos têm suas vantagens e desvantagens. O manual é o mais eficiente, com menos perdas de tração e desperdício de combustível nas trocas de marcha. O autom...

A trilha mais radical: SP na chuva

Três conhecidos sofreram danos em seus carros devido à chuva da madrugada de quarta para quinta-feira (20 e 21/1) em São Paulo. Carros normais, hatches e sedãs. Não vou me alongar aqui falando do descaso do poder público, da impermeabilização excessiva, do aquecimento global, do El Niño, etc. Mas sim do reflexo disso no universo automobilístico: o crescimento nas vendas de SUVs. Faz sentido; SUVs são mais altos, calçam rodas maiores, muitas vezes possuem tração nas quatro rodas e estão infinitamente mais preparados para rodar nestas condições caóticas. A grande maioria dos donos de SUV, no entanto, tem dó dos seus carros, pelos quais pagaram bem caro, para colocá-los a enfrentar um alagamento. Claro que é preciso tomar cuidado: um Tucson é bem mais limitado que um Defender, e tendo em vista que alguns túneis em São Paulo ficaram com água até o teto, nem um Defender com snorkel encararia aquilo. Mas muitos pontos de alagamento podem ser vencidos por um SUV. Os donos só precisam de um po...

Um cara bom

Esses dias pude ler uma revista nova, "Tempo da Sky", voltada aos assinantes da operadora de TV paga. Iniciativa brilhante, não é uma revista com a programação do canal como seria de se esperar, mas uma revista com matérias interessantes sobre diversos assuntos, mais ou menos como a V, da VW. Uma das matérias é sobre carros, a construção de carros artesanais por um italiano radicado no Brasil. Assinada pelo Arnaldo Keller. Desde que vi seus textos no Best Cars Web Site e, principalmente, escrevendo sobre carros antigos na Car and Driver, fiquei admirado com a elegância da escrita deste senhor. Ele te coloca no banco do motorista de qualquer máquina, descreve um DKW de uma maneira glamourosa, tem poesia em seu texto de prosa. É absolutamente genial, quiçá o melhor autor brasileiro sobre automóveis da atualidade. Para quem não conhece, recomendo demais a leitura.

Teste comparativo: Volkswagen Fox 1.6 Prime I-Motion x Chevrolet Agile 1.4 LTZ

Imagem
Eles tomaram conta das capas das revistas automobilísticas mais recentes. Foram, talvez, os lançamentos mais importantes da indústria no Brasil em 2009. Demorou, mas finalmente o M4R traz o super comparativo entre os novos compactos da Volkswagen e da General Motors, e interpreta o que cada um deles significa para a montadora e que lições podemos extrair dali. Vamos começar pela Volks. Foram anos de supremacia absoluta no mercado brasileiro, dormindo em berço esplêndido, vendendo carros incrivelmente defasados contra uma concorrência cada vez mais moderna. O resultado demorou muito, muito mesmo, mas veio inexoravelmente: a VW não conquista o título de montadora que mais vende no Brasil há nove anos. É óbvio que isso não foi visto com bons olhos. E, com a bênção da matriz, a Volks brasileira começou a dar uma revigorada em sua linha de produtos. No começo, nada deu certo: o Gol G4 é um dos piores carros já fabricados por ela, e o Fox, embora razoavelmente bom de vendas, não substituiu...