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Pobre não anda de carro

  A primeira coisa que precisamos entender é que o Brasil é um país pobre. Sim, também é um caso de riqueza mal distribuída, mas mesmo que pegando o PIB e dividindo por habitante daria algo como R$ 3.500 por mês. Com a má distribuição, temos uma renda média de R$ 2.700 por habitante, e sendo que 90% dos brasileiros ganham menos de R$ 3.500 por mês. País pobre não anda de carro, anda de moto. Vide Índia, sudeste asiático, mesmo China. A frota de motos no Brasil ainda vai crescer muito. A segunda coisa é que os carros estão ficando cada vez mais caros por uma série de motivos. Entre eles, estão: - A demanda por segurança. Hoje o carro precisa tirar cinco estrelas no LatiNCAP e proteger os ocupantes no caso da Lua despencar do céu e cair em cima do automóvel. Isso demanda estudos, aço reforçado, estrutura, projeto, e tudo isso custa dinheiro. - A demanda por equipamentos. Aqui é um pouco o dilema de Tostines. A pessoa que consegue juntar um suado dinheiro pra comprar um caro q...

O ano mudou, mas o ranço continua o mesmo

Feliz Ano Novo pessoal! Tá difícil postar, achamos todos os carros novos uma merda. Tudo igual até R$ 300k. Também não dirigimos nada novo. Estamos postando hoje devido ao retorno da Ford à Fórmula 1. Filhos da puta. Fecham a operação no Brasil de forma irresponsável, acabam com empregos, sonhos, famílias, mas têm dinheiro pra investir na F1 e levar endinheirados ao paddock dos grandes prêmios. Vamos falar um pouco de marketing.  O retorno em vendas de um patrocínio, fornecimento de motores ou qualquer ação na F1 é irrisório. Pode até acontecer, mas se esse mesmo dinheiro fosse empregado em ações tradicionais de marketing, como anúncios, redes sociais, promoções, o retorno sobre o investimento (ROI) é sempre superior. Investir numa categoria do automobilismo faz sentido se tiver pelo menos um desses propósitos: - Reputação. Competições de automobilismo são reconhecidas por testarem a resistência e o desempenho dos carros até o limite, portanto se esses são atributos que você quer a...

Fim de Fiesta

Esses dias a Ford anunciou o fim da produção do Fiesta na Europa, dando fim ao carrinho que prestou bons serviços a incontáveis famílias desde seu lançamento nos anos 70. No Brasil tivemos quatro gerações. A primeira, conhecida como “espanhol” devido a ser importado da Espanha, teve vida curta e serviu mais para tapar uma lacuna na oferta de veículos pequenos da Ford com o fim do Escort e da Autolatina em meados dos anos 90. A segunda, que era um face lift da anterior, teve vida longa. Chegou junto com o Ford Ka e oferecia os motores Endura 1.0, 1.3 e Zetec 1.4 16v, que o tornava um esportivo de alto gabarito – e com fama de não permitir retífica pelo bloco ser de alumínio. Ficou conhecido como tristonho, pela dianteira que parecia uma cara triste. Depois foi remodelada e o carro passou a ser conhecido como “gatinho”, devido ao formato dos faróis. Neste momento ele ganhou os motores 1.0 e 1.6 Zetec, muito mais potentes e agradáveis que os Endura. Houve uma versão Sport, somente em ...

O caminho é uma Strada

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Em 2021, o Brasil foi disparado o melhor mercado em vendas para a marca Fiat: 431.018 unidades vendidas, mais de 50% à frente do segundo melhor mercado que é a Itália, com 269.331 unidades. A partir dali as vendas despencam: pouco mais de 120k na Turquia, 95k na Alemanha, 55k na França. Seria de se esperar então que a Fiat se dedicasse sobremaneira ao mercado brasileiro, oferecendo aqui produtos de alto nível, equiparados aos da Europa, atuando em todos os segmentos com um portfólio amplo, robusto e inovador. Sabemos que não. O único produto de classe mundial vendido pela Fiat no Brasil é a Toro, um merecido sucesso de vendas. O resto do portfólio é dureza. Tem aquele Mobi horroroso, feio, mal ajambrado. Tem o Argo e o Cronos que, se não estão amplamente defasados em relação à concorrêmcia, também estão longe de representar a vanguarda tecnológica. Chegando agora, ainda não disponíveis em 2021, estão o Pulse, que é o Argo Adventure, tamanha a semelhança com o hatch, e o estranhíssi...

Quantos carros você precisa para ser feliz?

FlatOut lançou uma provocação interessante : quantos carros você precisa para ser feliz? Achamos que todos os entusiastas já divagaram em questões assim: “escolha 10 carros, ou um carro”, por aí vai, e monte a garagem dos seus sonhos. E não deixa de ser engraçado o comentário do Badolato, colecionador, dizendo que o mínimo é o máximo que você conseguir. Com mais de 300 carros, dá pra entender o lado dele. Mas aqui achamos exagero. Carro parado, que não pode ser usado por falta de tempo, é peça para museu. Nada contra, pelo contrário, essa atitude permite que hoje a gente consiga ver de perto carros raros, interessantes e lendários. Porém não temos essa disposição de ter o mesmo modelo de carro em várias cores – um exemplar já é suficiente. Aliás, o que mais nos encanta no mundo automotivo é a diversidade massiva de opções. E por isso nossa reação desolada a esse mundo de caros iguais e isolados que temos à venda hoje. Assim, caso ganhássemos na Mega Sena acumulada, buscaríamos ...

Causos e obrigado

Primeiramente queremos agradecer os comentários e incentivos à continuidade do blog, eles têm ajudado a não abandonarmos dado nossa falta de interesse total nos carros atuais e sua mesmice sem fim. Então faremos um post de breves comentários sobre situações recentes.   - A Mitsubishi está veiculando uma nova e curiosa propaganda da L200. Primeiro que em nenhum momento a picape aparece na lama, só na cidade – o que chama especialmente a atenção vindo da Mit, que se vangloria do passado vencedor do Dakar e da capacidade off-road de seus veículos. Porém chama ainda mais a atenção a argumentação de inveja que é usada no vídeo, com famílias embarcando na L200 e outras famílias ficando de fora com inveja. Sério mesmo? 2022 e o melhor que esse spublicitários inúteis têm a pensar é em “keeping up with the Joneses”? O consumismo nu e cru? Ficamos emputecidos em perceber como tem gente incompetente ganhando dinheiro fácil.   - Interessante o Polo lançado hoje. Em termos de desig...

Economia é a mãe da porcaria

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O Luis Alberto Veiga, ex-designer da Chrysler e VW, está publicando em seu Instagram imagens históricas de seu trabalho (vale a pena conferir). Hoje ele publicou uma imagem da SpaceFox com a legenda: “Logo após a aprovação do Fox atacamos possíveis derivados. O mais adequado seria um SW. Como o Fox era um carro alto, a space ficou com cara de van compacta (...). Os financeiros queriam que a gente usasse a porta traseira “carry over”, igual do Fox, mas a caída do teto ficou muito pronunciada e o Dr. Demel, nosso presidente da época, pagou a porta nova. O modelo ficou muito bonito”. Imediatamente pensamos no SUV fastback que a Fiat acaba de anunciar. As fotos disfarçam um pouco, mas aparentemente usaram a porta traseira do Cronos numa tentativa de reduzir custo e... ficou horrível. Tentaram ajustar ali na coluna C, mas notem como ela destoa da fluidez restante do carro. Não é de foder que quando a empresa vai lançar um carro cujo apelo principal é o design, vão os filhos da puta do...

É dureza

Tem coisas que a gente queria desouvir. Escutando um podcast com dois “jornalistas automotivos” entrevistando a pessoa responsável por Comunicação e Relações Governamentais na Mercedes. Primeiro, a dificuldade que é ouvir o caminho sem graça que o setor está trilhando. Segundo a executiva, vamos ver cada vez mais eletrificação, compartilhamento, autonomia e conectividade, num acrônimo em inglês que a Mercedes chamou de CASE. Mas dureza mesmo é ter que aguentar “jornalista especializado” defendendo downsizing e falando que discutiu com um amigo que comprou um Porsche Boxter e que dizia ser melhor que o atual por ter motor de 6 cilindros contra 4 do atual. E o energúmeno vindo com argumentos de desempenho melhor, economia, e que... O BARULHO DO MOTOR SÓ DEPENDE DO ESCAPAMENTO. Claro. Se ele começa a defender essas posições ortodoxas, cortam o jabá dele. E aí acabou Mercedinha emprestada uma semana pra pagar de gatinho, acabou Nissan Frontier emprestada pra ajudar na mudança, acab...

Teste: Volkswagen Nivus Highline 200 TSI

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A última vez que aconteceu algo parecido conosco foi em 2007, quando a Fiat lançou o Punto. Era um daqueles carros que fazia você clicar nas fotos, ampliar, olhar várias vezes, mandar pros amigos. Carro bonito mesmo, e acessível, não é todo dia que aparece. Estamos acostumados a ver supercarros lindíssimos (olá Ferrari Roma), mas um assim que meio que dá pra comprar? Normalmente são esses desenhos genéricos que, se não são feios, também não dizem muita coisa. O Nivus não. Este veio bonito desde o berço, com suas belas proporções de balanços dianteiro e traseiro, grade, lanternas traseiras, o vidro fortemente inclinado. Ajudado pelo porte pequeno e entre-eixos de Polo, ele não parece aqueles SUV cupê da BMW e Mercedes que são uma tremenda forçada de barra. Ele é bonito mesmo. E carro bonito vende. Quando dizemos que só gente nó cega que odeia carros trabalha em montadora, é disso que nos referimos. Custa deixar os carros bonitos? Como que a mesma VW que faz um Nivus comete aquela co...

Pedido aos que gostam MESMO de carros

Vira e mexe, num grupo de discussão sobre carros no qual participo, aparece alguém publicando uma foto ou víde de algum carro ultra-rebaixado, daqueles que o dono corta todo e refaz a caixa de roda pra andar socadão no chão. Até um vídeo de um Golf nos EUA que o cara tem que tirar a roda pra abastecer apareceu. Aí os comentários são de raiva, ódio, acham aquilo um absurdo, os caras matam os carros e travam as ruas. Bom, a gente não tem raiva disso não. Achamos legal? Não. Faríamos com um carro? Não. Mas vamos lá. Primeiro que nunca vimos fazerem isso com um carro mais valioso ou exclusivo. É sempre Gol, Saveiro, Golf, Astra, tudo carro que foi produzido em milhões de unidades. Segundo que o cara tá dando emprego pra funileiro, pintor, mecânico. Terceiro que nunca fomos atrapalhados no trânsito por carros assim, talvez por estarmos em São Paulo e se um cara desses trava o trânsito já perde os dois espelhos pros motoqueiros e fica surdo de tanta buzinada. Sabe o que achamos o fim d...