29.2.12

GMPSA

E a GM comprou uma fatia da PSA, conglomerado Peugeot-Citroën. É uma máxima de mercado: não se compra quem está bem das pernas. Neste caso, nem a compradora anda às mil maravilhas.

O que poderia sair de bom dessa parceria seria um 407/C4 com motor e câmbio de Cruze, o uso do ótimo novo 1.6 do 308 em carros como Cobalt e Meriva, ou mesmo na nova plataforma PM5/7 que vai substituir Meriva e Zafira.

O que podia sair mesmo é um Corsa hatch SS com o 1.6 turbo do 408 e câmbio de seis marchas! Viajar é bom...

15.2.12

Dica para a Peugeot

O M4R oferece agora, totalmente de grátis, sugestões de melhorias importantes para a Peugeot. Grandes consultorias multinacionais cobrariam milhares de dólares pelos nacos de bom senso que serão expostos aqui, de graça.

Vamos começar pelo 408. Sedã médio, oferta da marca num segmento disputado e de altas vendas. Resultado? Mediocridade. De acordo com a revista Carro de fevereiro, “a vida do Peugeot 408 não está fácil no mercado nacional. Quando foi lançado, há cerca de um ano, a marca foi pouco ousada ao divulgar a sua expectativa de vendas, que era emplacar 1500 unidades por mês do modelo. O pior é que essa meta, que já parecia modesta, não foi alcançada (...) o 408 registrou uma média de 729 modelos comercializados por mês em 2011.” Como comparação, novamente de acordo com a revista, o Corolla vendeu 53 147 unidades no ano, cerca de 4430 por mês.

Ok, o 408 não precisa bater o Corolla em vendas, mas não deveria passar vergonha. E o que está errado?

Para se estabelecer no mercado, uma marca nova precisa de um produto significativamente melhor que o da concorrência, custando menos. Ninguém conhecia a Hyundai há dez anos atrás e hoje os coreanos estão aí com pinta de marca premium. Quem construiu essa imagem não foram os comerciais incessantes, mas sim produtos como Santa Fe, Veracruz, i30 e Azera – todos melhores que os concorrentes e custando mais barato, em especial os dois útimos.

A Peugeot não assume que precisa se reinventar no país. Mas precisa, ou não vai sair da lanterninha. Pra vender bem, o 408 precisava ser melhor que a concorrência, e custar menos. E não é uma coisa e nem outra.

Não é melhor que a concorrência porque vem com eixo de torção na suspensão traseira, abolida por Civic e Focus. Vem com câmbio automático de 4 marchas, abolido por Civic, Fluence e Sentra. Vem com um motor incapaz de fazer mais do que 6 km/l de álcool, o mais beberrão da categoria. Não vem com um pacite de equipamentos de deixar as pessoas boquiabertas. Não vem com design revolucionário. É um carro, normal, sem graça, sem nada demais.

Como carro não é pão francês, o 408 não vende nada. O 508 não resolve, pois é de uma categoria acima (Passat, Mondeo). O que o 408 precisava era ser um bom produto, e não um carro pensando para os “compradores do terceiro mundo”. Ah, e precisava ser barato. Do jeito que está, nasceu morto.

E um bom exemplo é o do Fluence, sedã muito bom e que vem correspondendo às expectativas de vendas, mesmo sendo da Renault, outra marca francesa sem grande apelo para o consumidor.

O 308 vai seguir pelo mesmo caminho. Talvez não a versão 1.6, que vem com motor novo (122 cv no álcool, muito interessante), embora o preço esteja alto (R$ 54 mil) e o pacote de equipamentos não tem nada de mais. Agora, o 2.0 com o mesmo motor beberrão, o mesmo câmbio de 4 marchas, e os mesmos equipamentos da concorrência, pelo mesmo preço, vai fazer água desde já.

Ah, e já se vão QUATRO ANOS desde seu lançamento na Europa.

8.2.12

Bye, Opel

O Carsale anunciou a morte do Corsa Sedan, por enquanto negada pela GM. Pouco importa: se não for agora, será em breve. E o irmão hatch vai junto, logo depois.

Convivemos no M4R com um Corsa Sedan dos primeiros, motorização 1.0 a gasolina. Desempenho sofrível, câmbio extremamente curto e um gasto de combustível nem tão parcimonioso assim. Mas esses são detalhes de um motor claramente inadequado para o projeto (mesmo caso do malfadado Polo 16v). Nas versões 1.4 e 1.8, o Corsa agregava um bom desempenho às qualidades notadas mesmo na versão 1.0: ótimo acerto de suspensão, rodar “plantado”, com estabilidade e conforto, boa posição de dirigir, bom acabamento, ótimo espaço interno e porta-malas. O câmbio ficava a desejar.

Podia não ser o carro perfeito, mas ainda é melhor que Prisma e Agile (não dirigimos o Cobalt, mas se for parecido... putz...). Herança da origem alemã.

E é por isto que a morte do Corsa Sedan é importante. Com ele, e as mortes iminentes do Corsa hatch e do Astra, acabarão os produtos GMB de origem Opel alemã. O Celta é baseado no Corsa de 1994, com tantas alterações que em nada lembra o saudoso ovinho. Prisma, Agile e Cobalt vêm da mesma herança. O Cruze é um projeto global (Coreano, se a memória não falha), assim como nossa Captiva. O Omega é australiano. E a S10/Blazer têm longas e antigas raízes na S10 americana.

Isto é o sintoma de uma empresa querendo sair de uma crise. Os projetos alemães, via de regra muito bons e caros, ficam restritos ao mercado europeu, mais exigente. Países com motoristas menos exigentes ficam com projetos menos bons, mais baratos – tanto é que o Cruze, esse fenômeno todo que a GMB tenta vender, não é nada disso na Europa. O mesmo vale para a Captiva.

O próprio Corsa sofreu com a crise da empresa e o “depenation team”, responsável por privar os carros nacionais de diversos itens de acabamento e conforto. No primeiro ano de produção, o Corsa podia ser equipado com teto solar opcional e revestimento na parte interna do porta-malas. A própria campanha publicitária falava em “central de sistemas integrada”, ou algo assim, que controlava itens como o apagamento gradual da luz interna – nos últimos anos, vinha somente nos Corsas com ABS. Hoje o Corsa Hatch é um cadáver na linha da GM, somente com equipamentos e cores básicas.

O encerramento da produção do Corsa Sedan é mais um prego no caixão da GM brasileira com raízes Opel, somando-se à morte dos Vectras I e II, Omega nacional, Calibra, Tigra e Corsa ovinho. O que vem aí é uma nova GM, mais Daewoo.

O que pode ser bom para a empresa, mas não necessariamente será para os consumidores.
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