26.12.07

Premium tem limite

Juro que se eu não estivesse sentado eu tinha estatelado a cabeça no chão. Edição de dezembro de 2007 da Quatro Rodas, comparativo entre Corsa 1.4 e Siena 1.4. Modelos similarmente equipados: a/c, dh, vidros e travas elétricos. O Corsa se destaca hoje dentro da linha medíocre de produtos da GM. Padece do mesmo câmbio impreciso, mas é bom de suspensão, tem um acabamento adequado para a categoria e, em que pese o depenamento (os modelos iniciais tinham bem mais eletrônica embarcada que os atuais, por exemplo), ainda tem bom espaço interno, porta-malas compatíveis, bancos anatômicos. O Siena é a nova menina dos olhos da Fiat, e recebeu um banho de loja. Ficou realmente bonito, parece de outra categoria. E é isso que a Fiat pretende, a julgar pelo preço do Siena ELX 1.4 equipado como mencionei acima. Se não estiver sentado, faça-o.

QUARENTA E DOIS MIL E DUZENTOS REAIS.

Pois é, leia de novo. É isso mesmo.

Que eu saiba, o Siena surgiu como a opção sedã do Palio, na verdade um Palio para quem tem família grande e anda com muita bagagem. Virou preferido de taxistas, e começou a vender após a remodelação de 2001, que o deixou bastante atraente.

Agora, a Fiat pretende “descolar” o Siena do Palio, e começou deixando ambos diferentes. Não me entenda mal; a estratégia é válida, desde que seja correspondida pelo produto. A remodelação deixou o carro bonito por fora, mas por dentro o acabamento é o mesmo dos Palios inferiores, todos os equipamentos interessantes são opcionais e, principalmente, o Siena ainda é, na essência, o mesmo sedã compacto derivado do Palio hatch e com o mesmo espaço interno deste. Isto significa passageiros apertados atrás, com pouco espaço para ombros e pernas. Algo que a concorrência já entragava a mais antes e agora piorou, pois o Siena se mete a besta com um dos melhores sedãs à venda no Brasil hoje: o Polo.

Eu já discordo do resultado do comparativo da 4R que deu a vitória ao Siena. O Corsa é tão bem acabado quanto, melhor de dirigir (a suspensão mole do Siena e os freios binários, tudo ou nada, seguem padecendo o modelo), engoliu o Siena em todos os resultados de desempenho e tem muito mais espaço (representado por nada menos que DOZE centímetros a mais de entre-eixos), o que eclipsa totalmente o fato do porta-malas do Siena ter 60 litros a mais (acredite em mim quando digo que os 430 litros do Corsa sedã são mais que suficientes).

Comparar o Siena novo com o Polo sedã é mais covardia do que bater na mãe. O Polo é um carro muito superior em acabamento, desempenho, dirigibilidade, opcionais, espaço, status. O Siena ganha com aquele porta-malas gigantesco, e só. Para manter os preços correspondentes, o Siena HLX 1.8 começa em 44 mil reais, definitivamente o terreno do Polo, e, embora tenha mais desempenho, continua sendo um carro bastante inferior.

E não é só isso; fugindo dos sedãs comapctos, o novo Siena aborda o patamar de veículos como o Focus, como o Astra, até mesmo o Punto, que é muito superior mesmo dentro de casa (melhor de dirigir, mais bem acabado, com mais tecnologia e, beleza por beleza, o Punto coloca o Siena no bolso).

O Siena que importa mesmo, que é o Fire, continua com preços comeptitivos e com a cara que, para muitos, é a mais bonita da família Palio. O resto, que não vende nada, agora vai vender menos ainda. Se a Fiat seguir nessa toada em 2008, não vai ter anúncio de líder de vendas para comemorar.

E falando em 2008, este blog entra em recesso para as festas. Em breve volto com mais acidez e também mais avaliações. Feliz Ano Novo e até lá!

18.12.07

Kazão


A Ford tenta abocanhar uma fatia maior do mercado com o Kazão, ou Novo Ka. Nada mais justo, já que a Ford tem uma das melhores linhas de automóveis à venda no país, hoje. Os executivos devem se arrepender amargamente de ter topado participar da Autolatina, joint-venture comandada pela Volks que só piorou a imagem e os produtos da Ford.

Os americanos vêm, desde então, trilhando o caminho do sucesso através da única maneira sustentável: bons produtos. Claro que existem muitos senões: o Fiesta e o EcoSport são pobres por dentro, o Focus precisa urgentemente de uma remodelação, a gama de motores flex é restrita, existe um abismo de preço entre o Focus sedã Ghia e o Fusion, a Ranger já está velha diante da concorrência. Mas nenhum carro da Ford, nenhum mesmo, é uma péssima compra.

O Kazão vem bater em preço com Celta, Palio Fire e Gol City, os carros de entrada do mercado nacional. Por isso acho o preço inicial do novo Ka, R$ 25 mil, um tanto elevado: precisaria custar 2 mil a menos. No entanto, dado que hoje o preço final é cada vez mais relativo diante das prestações, e a Ford vem bastante agressiva nisso – é a única que oferece 84 meses para pagar), o carro acaba se tornando competitivo.

Os diferenciais são, sem dúvida, o desenho externo e o comportamento, que parece ter herdado algumas qualidades do Ka original – direção direta e precisa, ótimo câmbio, leveza do carro como um todo. O Ka original era um dos poucos carros do país que não se ressentia de ter um motor 1.0, em especial o Zetec Rocam, um dos melhores da categoria.

Pontos fracos, em primeiro lugar o fato de só oferecer duas portas, o que deve ser sanado em breve. Em segundo está o acabamento, com um uso extensivo demais de plástico – não faz mais bonito que o Celta remodelado, embora esteja na frente do Gol, e atrás do Palio Fire, a referência da categoria neste ponto.

Vai vender? Difícil dizer. O Celta vende pois é bonito e tem a chancela GM. O Palio é o melhor carro e vem ganhando justamente esta fama. O Gol é erroneamente conhecido como um carro resistente, embora tenha seu charme pelo bom compirtamento dinâmico. Como produto, o novo Ka se coloca como melhor de dirigir que o Gol, tão ou mais bonito que o Celta, mas não tem o acabamento do Palio (embora tenha motor e dirigibilidade melhores). A marca Ford neste momento atrapalha o produto, mas tenham certeza que este é o primeiro passo numa série paulatina de bons carros que conduzirá a Ford a um lugar de destaque no ranking de vendas, mais ou menos o que Uno e Palio fizeram pela Fiat. É só a Ford não inventar uma nova Autolatina.

17.12.07

Qualidade à toda prova

Depois eu que implico.

12.12.07

Staraya Ruskija

É um sedã familiar. Pelas suas formas quadradas, é extremamente espaçoso, levando cinco pessoas e suas bagagens confortavelmente. No entanto, por sua concepção de barato, o interior é sofrível, recheado de plásticos duros. O motor segue a filosofia torque – uma mecânica conhecida, sem muitas peças para não pregar sustos. O grande atrativo do carro é sem dúvida o preço, bem abaixo da concorrência.
Em 2007 é o Renault Logan. Em 1992 era o Lada Laika.

10.12.07

Camisetas têm tecidos melhores...

Acabei de ler um post no blog da Automobile Magazine que me fez pensar. O autor critica o empobrecimento do tecido utilizado nos bancos dos carros de hoje, que praticamente te obrigam a escolher um revestimento de couro que muitas vezes você não quer.

Isso é muito verdade no mercado brasileiro. Muitas vezes me espanto ao reparar nos tecidos de Monzas e Santanas do final dos anos 80 / começo dos 90. São tecidos parrudos, resistentes e bonitos, que enfeitam os bancos. Alguns são até aveludados, de ótima aparência mas pouco adequados a nossas temperaturas tropicais.

Até a década de 70, o tecido era muito pouco resistente para ser utilizado nos automóveis. Daí a onipresença do vinil, tecido com vaga semelhança ao couro e que é extremamente resistente. Ainda vemos vinil na parte de trás e nas laterais dos bancos dianteiros de vários carros de entrada. Essa é uma daquels economias porcas, já que a diferença entre fazer um banco de tecido e vinil e um só de tecido com certeza não se justifica – o objetivo é fazer o comprador cônscio deste detalhe pagar mais para levar um banco todo em tecido.

E se ele o fizer, é bem provável que se desaponte. Assim como no blog citado, o tecido usado na maioria dos carros brasileiros hoje é absolutamente sofrível. Áspero, desconfortável, de péssima aparência. Na minha opinião, os piores estão em Gol, Palio e Celta.

A Fiat ainda mantém, escondido na sua oferta de opcionais, a possibilidade de equipar o carro com um tecido mais digno do nome. Nas outras montadoras, só trocando de carro. O primeiro GM a ter tecidos decentes nos bancos é o Vectra. Na Ford é pior ainda – nenhum carro tem tecido bom. O Focus, que no começo tinha um revestimento excelente, foi rudemente piorado em 2004, e hoje para fugir desta opção, só com bancos em couro. A Volkswagen tem um tecido mais ou menos nos Golfs 2.0 sem couro, enquanto a Fiat os tinha nos Marea, que saíram de linha.

O banco de tecido tem um grande desvantagem sobre o de couro, que é a dificuldade de limpeza. Líquidos podem ser cuidadosamente secos no couro, mas não se impregnados no tecido. Por sua vez, o tecido tem o conforto térmico – não esquenta no verão e nem esfria no inverno, algo bem típico dos bancos de couro e super inconveniente neste país tropical.

No entanto, a opção que temos na maioria dos carros não é entre um couro bom e um tecido ruim. É entre um tecido ruim e um couro pior ainda, áspero ao toque, sinceramente uma evolução muito pífia do vinil usado há 30 anos. Este couro aplicado pela maioria das concessionárias é um descalabro, que só não atenta mais contra o interior do carro pq invariavelmente o tecido original também era uma porcaria.

A opção seria pagarmos mais pelo couro de fábrica, algo que as revendas odeiam, pois têm lucro sobre o couro que aplicam nos bancos. Uma pena algo tão importante, que faz o contato da grande maioria do nosso corpo com o carro, ser tão negligenciado.

5.12.07

Pequeno break

É hora de são-paulinos, palmeirenses, santistas, flamenguistas, fluminenses, botafoguenses, vascaínos, atleticanos, cruzeirenses, gremistas, colorados e torcedores de todos os times darem as mãos aos corinthianos.

Não para protestar contra a MSI, Kia, Dualib ou segunda divisão. Para protestar contra a vexaminosa salvação do mandato do Renan Calheiros. Contra a absurda continuidade da CPMF como está, diante da pesadíssima carga de tributos. Diante da absoluta falta de infra-estrutura que impede o país de crescer.

Por que, se todos fizéssemos pelo país os protestos que os corinthianos fizeram pelo time deles, tenham certeza que hoje o Brasil integraria o clube dos países desenvolvidos.

Quem tinha de ter medo de sair na rua é o Lula, não o Dualib.

3.12.07

X-Burger Motorsport

Ontem fui no X-Treme Motorsports, em São Paulo. Pode paracer ridículo para um sujeito que tem um blog sobre carros, mas é a segunda vez que vou num evento desses – a primeira foi num evento de acessórios com a chancela do Emerson Fittipaldi, que aconteceu no Anhembi há algum tempo.

A verdade é que tuning não me atrai. Certa vez, numa lista de discussões que participo por e-mail, um cidadão escreveu que: “os engenheiros estudam e fazem milhares de cursos para chegarem exatamente àquele acerto do carro, pra ir um mecânico de meia tigela depois e estragat tudo”. Não sou assim tão radical e acredito que as montadoras realmente amarram muitos carros, através de filtros e escapamentos restritivos, bem como a programação da ECU (a central eletrônica que controla diversos parâmetros do carro, entre eles os de desempenho). Existem caras no meio do tuning que fazem um trabalho realmente de responsa, com os quais eu entregaria meu carro sem a menor sombra de dúvidas. Entre eles, o Herrera, que fez um grande nome trabalhando motores de maneira muito elegante – qualquer um coloca 2 kg de pressão num turbo e extrai 500 cv de um motor. O Herrera extrai a mesma potência com 0,5 kg. Isso é ser elegante. Também destaco o Batistinha, que vem ganhando nome como “o” cara de V8 do Brasil. Desculpem os outros bons nomes, mas realmente só conheço esses dois, de SP, que vale a pena destacar. Certeza que existem outros fazendo um senhor trabalho.

Essa história de dragster, carro de arrancada, preparação forte, nada disso me atrai. Acho legal um Gol 91 com 600 cv, mas, sinceramente, acho que dava pra fazer coisa melhor com o dinheiro. Gosto mesmo de tunings e preparações discretas. Um Fusion, por exemplo, com rodas negras com aro cromado e um trabalho de leve no motor. Um Vectra novo (que como carro é limitado, mas é uma ótima plataforma para melhorias) mais potente e também com umas rodas e bancos mais agressivos. Sou fã do estilo discreto, elegante, um pouco DUB para quem conhece. Me dói ver carros chamativos, de cores berrantes, com dez alto-falantes. Nessas, acabo gostando de poucas coisas na cena do tuning.

No entanto, acho que os eventos tradicionais (leia-se Salão do Automóvel) podiam aprender muito com o esquema tuneiro. Em primeiro lugar, deixar um espaço para outros carros que não os oficiais – assim como nesses eventos podemos ver o que os tuneiros reais têm feito com seus carros, numa área separada, poderíamos ver carros interessantes de particulares: vai que um brasileiro tem uma Countach ou Diablo, você não ia querer ver essas encrencas num salão do automóvel?

Outra coisa são as mulheres. Já defendi aqui que eles deveriam ser eliminadas do Salão, pq eu não agüento sujeito que vai lotar o evento só pra ver aquelas modelos. Já no salão de tuning, onde as modelos estão espremidas em tops pequenos e saias que parecem cintos, eu entendo mais a apreciação das mulheres. Gosto disso pois elimina a hipocrisia reinante no Salão: a mulher esta lá para enfeitar o carro com sua beleza estonteante, mas como todas as marcas querem passar uma impressão de elegância, colocam as ditas em vestidos de gala que não mostram efetivamente nada. Ou vamos assumir a questão mulher-objeto de vez (como o tuning faz) ou vamos tirá-las do evento.

Por fim, a possibilidade de ver os carros em funcionamento. Todo evento de tuning que se preze tem uma área onde acontecem demonstrações de arrancada, de drift, de big foot e até de capotagem. Carros foram feitos para andar – e é por isso que me senti muito melancólico ao visitar o maior museu de carros do Brasil, o da Universidade Luterana (Ulbra), em Canoas, no RS. Vários automóveis maravilhosos – e parados. Não foram feitos para aquilo, eles existem para andar. Por isso que aprecio evento como os encontros de carros antigos no sul de Minas, no qual os carros andam, ou as corridas de autos antigos. O Salão do Automóvel poderia talvez fundir-se com a Quatro Rodas Experience, e permitir que as pessoas andem ou dirijam os carros.

Ah, em tempo. Formulei uma teoria totalmente bizarra. Chamou minha atenção a quantidade de mulheres presentes ao evento – muito mais que no Salão do Automóvel, por exemplo. Algumas realmente curtem preparação. Outras, a grande maioria, acompanhavam os namorados. Moças bonitas, acompanhando às vezes uns caras bizarros. A teoria: Quem gosta de tuning precisa de dinheiro para comprar o carro, as peças, deixar no preparador, estas coisas. Para conseguir dinheiro, ou se nasce rico ou se batalha, trabalhando e sendo responsável. Qual garota não deseja um cara responsável e batalhador? Os tuneiros estão com tudo!
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